sábado, 28 de julho de 2012

Agulhas




Sinta a agulha
Atravessando a sua veia
Negável dor pagável
Que não pode te curar
Arrasta-me para fora
Lambendo a sua ferida
Hoje acordei tão atrasado
Que me fizeram acreditar que é tarde
Tenho tentado me limpar
Esvaziei os meus bolsos
Roubando carteiras vazias
Cheirei cinzas de desespero
Se afogando em um copo de vodca
Enterro-me em meu quintal
Com a pá que eu mesmo comprei
A magoa que não mata
O erro que não ensina
Deixe-me assim
Procurando mais um vendaval
Que possa me levar
Como cinzas desse lugar
Aonde eu não possa ouvir
Você em meu ouvido
Reclamando por ter
Tudo o que sempre mereceu
Não sou você, não insista em dizer
Que hoje a noite será só nós dois
Os mesmos corpos que se odiavam
Por não entenderem o mundo um do outro
Será que não temos mais
Aquela velha quietude
A calma das madrugadas sensatas
A certeza das coisas que não se vêem?

Por Manfrá

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Casca de misérias


Quero desencadeia um monte de abraços
Apertados, de todas as malas
Quero sacrificar em teus altares
Encurvar tua coluna sobre a minha
Enxergar no fundo do lençol
O teu pé pequeno e encardido
Encher de lagrimas enquanto vivo
Para não morrer de vontade na morte
Pular, me divertir, acordar tarde sem medo
Enlouquecer, me perder, me encontrar por aí
Chatear alguém que eu gosto
Para me ver refletido em seus dentes
Se não amarelos, brancos ou prata
Ouro embrulhado numa casca de misérias
Sem promessas gloriosas no final
Ou sopa quente internado num hospital
Ardor com deslize indecente
Cama com sobremesa de louco
Maldades quero dizer adeus
E nunca mais dizer saudades
Quero estar pronto onde está
E permanecer no som da sua voz

Por Manfrá

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Orelha de crocodilo


 
















Da distancia entre o por do sol ao pé que treme, mas não vacila

Cavalgando pelo espaço como uma luneta, 

atravessando a constelação virgem de aparência

Na fantasia da cabeça do cupim o resto de madeira veio me mostrar

Ontem como era jovem sua dor, hoje como te faz para ordenhar

Da orelha do crocodilo ao pé de meu Salvador

Faltou-me tudo o que das cabeças deles nos faltava

Faltou-me a repreensão de quem me ensinou 

que da doce ou amarga terra não levo nada

Nem balsas congeladas de um inverno feliz

Tramando a própria ingenuidade como flores

Da janela do alto ao portão do inferno o lunático aqui acreditou de mais

Amando a própria vida como uma tarde de seio farto e miséria amarga

Na atmosfera que se faz forte o homem de cera vem poluir

Tampando todo ouvido com asneiras e fofocas de dramas violentos

Gente que da fuça não tira nada à não ser ranho num papel higiênico

Na morte da sombra que se fez sol o motivo deles ainda são vocês

 

Por Manfrá

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Vinho e mentira
















Falso, eu me destrui,
Desperto, estou calado em ti
falsas, má dia à vocês
Chatas, palavras cruzadas
Cordas, pescoços não enforcados
Curumim, criança de língua ultrapassada
Ares, deus da violência e da guerra
Orgias, vinho e mentiras inversas
Roda, o que me cerca e o que me quebra
Raspa, sua nuca falsa de cérebro
Chateia, esperneia sua preguiça
Burra, porque me fez calar em ti
Quero, desmorona toda essa bichona
Chama, não sangra essa esmola
Vaidade, porque é tudo vaidade
Pensar, inverta toda essa bipolaridade
massas, sociais que se infectam
Cura, minha mentira nua e crua
Veja, Vera Lúcia veja
Sacana, espírito de boca feia
Me erra, não to na fila para dar vez
Gospe, todo o ranho para ti
Fogo, explode veia sedentária
Acalma, toda a minha boca suja
Sangra, essa minha mania de desculpa
To bem, to querendo ficar bem!
Tentei, to tentando me libertar

Por Manfrá

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Pasto novo

Não houve exagero, nem compadre camarada, era a mais estampa fina pendurada no varal, toda retalhada para o meu descaso, sem chance de divorcio antes da sorte, nem azar demasiado forte para te enfrentar.  Na estupidez o cativante se cativou preso por suas próprias esmolas, sem palmas o amor próprio se fez fraco, enjoando-se de suas estúpidas encenações.    Como violência ela grita, subordinada ao seu acaso, sem passagem milagrosa pela estrada de insinuações e trapaças, no meu terror eu não me faço de monstro para encontrar meias verdades, me disfarço de louco para não encontrar meias realidades, gente magra, gorda, toda iludida pelo seu falso propósito, imoral de carne e osso julgando a moral de alma abatida, desenfreada pelas esquinas da vida, vindo como um forte sol no deserto de minhas ilusões, todas como emblemas desfigurados, estéticas disfuncionais, miragens do que restou de meu pasto.

Por Manfrá

sábado, 30 de junho de 2012

Jornal tequila

De Vasconcelos encardido ela me chamava, Vasconcelos que não quero, que não quero ao meu ver.  Mal entre mal, o televisor esquentando na tela do jornal, motorizado o permanente estado da mente humana, entre velozes e fudidos, perdas e ganhos da vida submissa ao finito, formal, pessoal condicionamento sub-humano de uma espécie entre si.  Quem ela era no meu processo de evolução? Margarita Tequila, Tequila de unhas encravadas.   Tem muita gente esquecida da tristeza, do infortúnio que traz o homem a pensar.   Margarita era vulcão em erupção, como uma jarrada de fogo mortificada queimando ela e a mim num passeio pelas estradas de Monte-Carlo.  Como folgosa, folgosa ela me chamava, impertinente, perdida ao processo de elaboração, vazia por dentro como eu, devorando nossa estrada de regresso, de nosso habitat natural para nossa rota de fuga.  Como jovens eternos queríamos morrer, morrer sem saber que vivemos para o nosso próprio caos, sem chance de roleta russa no final, a música continua tocando, mas ninguém consegue entendê-la, é impertinente aos ouvidos acostumados a serem tratados como lixeira, de dejetos e promessas esgotadas, tolas se comparado a sabedoria divina, sem pêssego na volta, somente obscuros desejos dos que ainda queimam em mim.

Por Manfrá

terça-feira, 26 de junho de 2012

Muralha forte











Vem e me derruba, muralha forte de vento forte
rosna em meus ouvidos tua espada
me chama pela morte o teu viver
Esmaga de minha presença o furor
e me cura por toda a cidade
Inala de mim toda fumaça
e esvazia meus predios de vaidade
Aconchega tua mão acolhedora
E me faz bem para o mau olhado
Não me pertube o sono pela madrugada
Nem descançe minha vontade de vencer
Quero toda a luminosidade para mim
meus amigos e irmãos perdidos
Toda a vida sem desculpa
como uma sexta sem bebedeira
Não quero grana para me estragar
Nem me esquecer quem sou
Já fui sujeito do objeto
cortado de meu auto-recesso
Hoje quero toda sua pilantragem
Desesperada e despida para mim
Noites como um inverno
invernos como um verão
Não quero mais jaula enfurecida
ou opinião alheia egoísta
uma cama de paz e sorriso no outro dia
é tudo o que eu mais peço

Por Manfrá

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Barroco

Vão, gritem, me arrastem todos vocês que não compreendem Gregório de Matos Guerra, barroco não é cana, é açúcar estimulante, vértebra em colisão, repouso mental alegre.   Vão, se perturbem até acharem o chocalho na cabeça, batida de podridão que arrasta todo o verão.  Hoje eu achei minha loucura, escrever para não me perder, me perder para escrever, porque o que me antecede quase sempre é susto, susto vindo do meu mal para você, não que não haja nenhum mistério oculto, é que as vezes eu perco a fé e se eu perco a fé eu perco tudo.

Por Manfrá

domingo, 17 de junho de 2012

Bloco de argila


Digam a esses loucos que não se calem diante de mim, e que se faça voraz a voz da multidão, tenho enchido de teatro os meus punhos para fantasiar a realidade de minhas ilusões, enlouquecendo o pobre locutor que dessa historia não compreende o fim.   Na avenida da passarela teatral de nossas vidas, desamparados atores de si mesmos, disfarçando todo o arsenal de misérias humanas como um sopro no ouvido encardido . Quanto mais tempo irei ter antes que a ultima pulsação seja dolorosa e me arranque por inteiro pela raiz?   Me desempenando pura aí como galinha desencalhada, na morbidez de minhas ideias ilusórias defraudado-me em minhas paranoias, chegando em casa triste apanhado pelo divorcio da tristeza com a maldade que dizia ao teu coração: Não se cale tua voz vencedora, nem te repugnes nenhum mal que te possa ferir o calcanhar ao te ensinar caminhar, pois o bem e mal existem apenas para um propósito, disfarçar o inferno que há dentro de todos eles.

Por Manfrá

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Fonte espiral


Agora, como nunca antes, a fonte espiral se tornou mais forte, sugando todo o âmago da vida, sua existência em escalas, seus amores por esmola.  Ainda que o batente não seja sofredor, a sua vitalidade é sugada, arejada pelos cantos mais remotos da vida, ela me faz sentir assim, quando estou desmaiado de terror, a ruptura que explode em minha garganta é fruto da má digestão, rompendo ossos e desfigurando caretas, quando olho para o que sobrou de mim, vejo uma luz gloriosa como uma sentinela embrulhada para mim numa caixa de papelão, quando estou embriagado pelo seus vinhos, suas erupções vulcânicas arrasam minha cidade, me colocando no seio de minha amada, do braço da minha espada.   Como o último show da madrugada, eu me calo e me sento no vazio, ali está toda a maldade deposta diante de mim, o inferno que as vezes inventei por não acreditar num paraíso,mas quem eu quero enganar? ainda me sinto no chão, como um cão perdido a vagar pelas extremidades da terra, quando me olho no espelho nem sempre vejo meu reflexo, somente uma máscara que me guia para além do vago tempo que eu desperdicei por não acreditar em mim mesmo.

domingo, 3 de junho de 2012

Cobertor queimado

As vezes acho que estou pirando, sufocando os meus pulmões com a fumaça de meus
pensamentos, é tanta ideia embaçada que não da para ver o espelho. As vezes eu me
acho louco tentando me decifrar, tentando achar aonde eu me perdi, o que caiu de mim e se achou sem você, quando coloco todas as minhas neuroses numa janela elas não abrem para mim o florescer e o amanhecer, eles como instrumentos de arrogância nem me acham desparafusado de alguma ideia aonde eu não coube, porque eu vejo que todas as relações humanas são como um disfarce, cheio de inveja, egoísmo e desconfiança, uma sociedade aonde todos são como copias de si mesmos. Quando tento me encaixar neles, vejo que minha situação espiritual não é asneira, nem dor de cotovelo, é como uma multidão enfurecida pelo divórcio da corrupção e da verdade, como vários olhares que passam em nossa vida, são poucos que nos decifram e nos colocam dependurado em uma cruz como inimigos por sinceridade. Na teia da invenção da vida moderna, o frasco virou filho de seu odor e a mão suja amiga da falsa simpatia, nem sempre os que gritam são os mais loucos e os espertos mais sábios, a escuridão de nossos passos são a vergonha do que somos,a sacanagem aqui meus amigos não é safadeza no olhar do menino, é fuder o outro na trairagem, como cão esperando seu bote. O amigo de verdade faz presença em suas dores e não se enche de sátiras de sua ruína,mas só quando o homem aprender a valorizá o osso ele comerá também da carne, pois aquilo que o homem plantar, isso ele colherá e jogará para os urubus, para os ratos de barriga cheia que um dia contemplaram nossa marcha silenciosa rumo ao desprendimento de nossas ilusões desnecessárias e fetiches casuais, será como uma despedida aos sentimentos vazios e falsos de nossas historias.



Por Manfrá

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Desarmado





















De drama, comédia eu me servi
Comi tanto do sossego quanto da guerra
Nos olhos de fortuna vi miséria e escravidão
No bolso levei minha regra de esperança
Tocando todo cão magro
Que rodeava minha carcaça
De longe vi a vida que sempre quis
E hoje caminho em direção à ela
Guiado pelo bom pastor
Amaldiçoado pelas drogas de inverno
Hoje sou nota dissonante
Numa sociedade desafinada
Irradia de mim seu brilho
E me queima pela estrada
Fonte de terror são todos eles
Cegos, ignorantes e infelizes
Consumadores de sangue pela terra temperada
Pelo sonho do louco que esteve desarmado
Procurando uma resposta
Viu que todos os hipócritas são iguais
E o desconhecem
Assim como ele à vocês
Rezando para não julgar
E não ser julgado

Por Manfrá


terça-feira, 29 de maio de 2012

De corte


Entre ideias e idas no horizonte
desfechos no aperto por mordomia
homens maquinas sem cérebro
Inculcando o prazer pelo falecimento
Herdeiros homicidas
Matando pelo paraíso
Mundo em demagogia
Plantão de créditos noite e dia
endividando família boa
Deploráveis guias cegos
homens patentes indecentes
Matando o santo de pranto
Mentiras em sintonia
Minissérie, novela parricida
mente programada, subdesenvolvida
Alienação em sintonia
mundo, moda expansiva
cheque, juros o ano inteiro
Dólar que cai, dólar que sobe
Carteira vazia que não resolve
Comida amanhã, comida nunca mais
Faltou dinheiro, faltou puteiro
último celular da moda
carro do ano, volume exagerado
Espanta, espanca vizinho inconformado
Mulher que grita e esperneia
Marido bêbado e violento
Menina de saia que rebola
garoto de jeans ouriçado
frenéticas se aposentaram
esqueléticas estão dançando
estupidez na TV
desgraça que da audiência
homem-bomba no oriente
riqueza, trafico, realeza
mundo pobre igual mais ibope
pedra, crack, viciado deselegante
Injeta, cheira, cai fora
embriagado, cagado falando asneira
vicio, vida igual desperdício
povo, ocupado, culpado, cansado
Policia Viagra, dura e rasga
pobre apanha calado e sangra
Político fico puto
mas não fico corrupto
jovem é a comédia
que não pensa e só retarda
justiça que demora
revolta sem resposta
chacina no bar na esquina
menino sujo o olhar aflito
povo esquece enriquece o político
jovem salva mendigo logo esquecido
rico estúpido xinga pobre na TV
canal homicida, alienação negativa
É a Vida que se perde, vida bandida

sábado, 26 de maio de 2012

Fascínio ilusório


Não me fascina a sabedoria do mundo e nem o poder dos maus
Nao me dêtem o saber ignorante que escraviza a mente
Nem a pergunta maliciosa que me tenta derrubar
Não sou feito de engimas complicados
Nem de verdades subjetivas
Não sou o que teus olhos vêem
Nem que sua ignorancia julga
Sou mais do que pensa
e menos do que imagina
Não me convence a resposta amargurada
Nem o cabelo branco de sabedoria
Não acredito no amor sem dor
E no sofrimento sem causa
Não confio em senso comum
Nem no consenso sem senso
Me pertuba o silêncio
do grito que há dentro de ti
Me impressiona o lamentar
daqueles que não vemos chorar
me envergonha o pensamento
daqueles que não sabem pensar
Me intristece a alegria
dos que prosperam com o mal
Me fadiga o cansaço
daqueles que nunca aprendem
estranhos no pensamento da paz
restos de um fascínio ilusório

domingo, 20 de maio de 2012

Overdose


















Sempre digo a ela o que levar
não importa de mim nem sabe-la
venho cedo e vou embora
pois a tarde é meu sossego
Quero viola-la em meu escuro
sem um pouco de maldade
vem embora meu sossego
porque eu quero é cuidar
Não importa a saudade
porque eu quero é ama-la
Doe de mim fazer assim
Seu injusto amado fiel
que por mais que apagues
continua a queimar
quero aconchega-la agora
e dormi por vaidade
Vencer o mundo que há la fora
ficando bêbado na madrugada
Retornar a infância de nosso amor
Peregrinos da noite da majestade noturna
Quem vai fazer as trilhas
para quando nos perdermos?
Alvo em nossas consciências são
o despertar do amanhecer
E o buscar do entender
Foi se embora sem despedir
e deixou comigo a saudade
trouxe a vida que negou
E me amou

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Riso diabólico


Eu dormi com a dor e aprendi quando ela foi embora
Eu reguei a primavera com o suor do verão
Enxerguei entre as poltronas o passo da vida
Quando vem lentamente e devora todos os pensamentos
principalmente aqueles que estão adormecidos
regados com toda estupidez cativante
Se na vida não se encontrar o caminhar será desalento
Por que até me confundir sou bom de mais
mas aprender de mim mesmo o tempo traz
encher meu copo de desilusões e beber
ruinará meu despertar pela manhã
Me acomodar quando estou perdido? disso me cansei
mesmo quando o vendaval bate na janela
derrubando todas minhas panelas
Viver agradecido ainda é o melhor remédio
A alma sangra quando o coração expõe seus sentimentos
Rejeitar a ardente expectativa da vida pode ser aterrorizador
O andar do aflito pode está cheio de sua prepotência
O horror da cidade é morada para pombos
Quem se fadigará ainda mais para entender o pesadelo?
O riso diabólico da empregada amante?
o vacilar do entenebrecer das rústicas promessas?
Champagne ao contador de historias
e salva de vaia para o politico arrogante
amanhã você acordará em paz com sua consciência
mais os visionários do mundo material
tropeçaram em suas riquezas


Por Manfrá

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Hino de aberrações














Louvarei, louvarei com meu hino de aberrações
soprarei sobre os instrumentos de vento
para que levem minhas amarguras
Abraçarei meu estandarte
que solenamente representa
minha loucura despojada
sobre uma bandeira de tecido e pouca luz
Com salterios e harpas
hoje engrandecerei minhas anormalidades
amaldiçoando o comum e o trivial
me encherei com teus vinhos
de abominações deselegantes
rios de polvora de minerio
saciando a mente viril
de forte terra
de fogo repulsivo
enchendo tua merda de ouvido
te fazendo enxergar o contrario
do que não há sentido na vida
do pouco que se entende
acham que entendem tudo
o que do nada desconhecem
desconhecem tudo


Por Manfrá

terça-feira, 1 de maio de 2012

Arquivo do sol



O que tu tem na cabeça? Eu já vi roda girar assim, me dando todo o tipo de enjoo. Não queira o orgasmo mais demorado, mas tenha prazer na vida todos os dias, mesmo que se encha de furor o teu coração, não deixe a magoa queimar mais que o verão, porque eu também tenho medo do tédio, tenho medo daqueles que apontam o dedo assim, julgando meio mundo a fora, dizendo pela metade o fim. Tive que aprender pelo erro, assim como vocês eu tive fé, tive tarde inventada pelo sono, quando acordava querendo sonhar.   Quando na necessidade eu mais precisei meus amigos não se retiveram, de todos os mundos que vaguei, parti estrelas e compus galáxias, pois não é o que torna nossa vida, mais sim o que ela tem para nos tornar, nem é de sacrifício de amor que a terra está cansada de apanhar.  Porque eu vi seus semblantes,reparti com seus semelhantes suas misérias, pois em tudo tentam colocar um preço, para nos fazer enganar, pois já nem nos sobra mais brincadeiras inocentes, nem ideias erradas quando fui feito menino, que da terra brincava sem saber que do teu berço ao túmulo tua vida cabe em minha saudade. Eu tinha uma variedade de vidas, todos os caminhos que eu podia seguir, eu tentei pelo que acreditei e amei e já pensei em desistir.  Eu tenho muitas lembranças e do meu passado já sonhei de mais, mas o que não parecia na vida trouxe o tempo a me mostrar,eu vi o que você viu e tentei do mesmo modo recomeçar.   Eu sei o que do tempo tirei e o descrevo com essas linhas, mesmo que pareçam tortas ou vazias, sem sentido para um mundo sentido que tem cansado de sentir.  Eu também vi da sorte agente tirar fé para mudar a vida que não muda sozinha.  
Por que quis crescer com tanta pressa? Tinha vontade de como criança amar e de se machucar por brincadeira. Ah! que bom aquele caminho que de quantas noticias boas foi me dar, eu sei do que falei e vi a vida passar, me projetei tanto em palavras deixando a morte se aconchegar, mais agora estou refeito, das cinzas que me deu vida, desaprendendo todo o mal para mim aprender a sossegar esse rabo mal acomodado que na vida sempre há de balançar, tem olhos para o que vê e ignora o que o coração traz, tua vida inacabada na minha gritando como feto para existir, porque o mundo não foi feito de dias para viver de reclamações, porque sabemos de seus instintos e conhecemos suas intenções, querendo de mim saber o que da minha boca vai te servir, porque eu já vi cão magro rodeando carcaça, matou o que era por fora restando nada por dentro, pois o tempo sempre vence aquilo que achamos não poder vencer, mas amanhã já não nos ferirá a mesma ferida que de nossas unhas fizemos brotar.

sábado, 28 de abril de 2012

O viajante




Na altura se faz a diferença
de quem cai ou se levanta
Não dê aplausos à eles
pois estão todos se mordendo
Pra castigar de dor nossas crianças
E levar o sapo de nossas historias
Venha, pois já estou de saco cheio
cansado desses falatorios
Não vou mais esperar o fim
De tanta gente que não presta
To com a alma desarmada
fazendo de balada teu chocalho
pra mim te fazer ver
O estado da mente humana
Apriosanada no intelecto
traido pelo silêncio
Hoje, eu caio fora daqui
pra deixar de saudade minha partida
Para o mundo que não entendeu
minhas palavras de desespero
Quando gritei lá no quarto
Minhas lagrimas não me negaram
Fui deixado por gente que gostava
que fingia amar minha compreensão
Mas não me culpo pelo divorcio
Que há entre a loucura e a realidade

Por Manfrá

domingo, 22 de abril de 2012

Zumbindo alto





Tecendo lã em idéias mal ajustadas
Recheando o saber como um pasto novo
Do alto gramado ele bufou
E te defrontou com esse poema:
Zumbindo alto, zumbindo alto 
Até ao florescer
Detendo o tempo
Dou-lhe o saber
Zarpa, zarpa alto
Que você vai entender
Do outro lado da colina
até o amanhecer
vencendo o mundo
só Deus e você
Tem pasto novo e comida nova
Fartando os pratos de nosso ser
Tem vida desajustada
tentando aprender
Se de todos nós somos um
Quem pode saber?


Por Manfrá

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Carrossel






A sua dor escorre pelo meu peito
fazendo dele o mais belo jardim
Teu sorriso está estampado
No meu guarda-sol
Teus pés estão pintados
no caminhar dos meus passos
Tua alavanca está abaixada
Desenfeitando meu carrossel
de todos o que fui feito
foi deles ter me aproximado mais
O que me errou, foi ter errado menos
Do meu inóspito bem te querer
Quisera eu ter me inventado
Afrouxado as ideias do meu pensamento
Te guardaria no holocausto
Te todos os meus sofrimentos
Do qual te vi e te guardei
Pelo medo de te perder mais
Voltei sem me voltar
para o teu lado o meu bem-estar

Por Manfrá



sexta-feira, 13 de abril de 2012

Salto alto



Tentou me rebocar agora
síndrome de minhas ilusões
desaperecer do meu ser
até ouvir-se o silencio
De quem é a palavra aguda?
o homem sujo lá fora?
venha, interprata-me
sou o ódio que diz ser?
a maldade que putrifica?
os corações dos homens?
Matei o saber?
Fiz ignorante seu coração?
donde vens? Dondes vai?
Finge-me saber quem sou
E ilumina o meu apagar
Venha ladrão da minha alma
Levar me ao destino fatal
que carrega eu e voce
Fonte dos meus anseios
e cura ao meus remorsos
Tentou me sacrificar ao desejo
que durava em minha alma
Deita-la, abraça-la,sem ama-la
Iludi-la sem alerta-la
Invés do meu esclarecer
meu vazio obscureceu
E levou me afoga-la
em minhas magoas


Por Manfrá

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Poeira

Como poeira jogado aos vento
Guiado por terras infinitas
Ignorado como um minusculo grão de areia
Mas com seu firmamento até
o imenso mar repousa em seu leito
Teus olhos que brilham como um cristal
Um dia cairá lagrimas
Por que você ira sentir o grão de areia em teu olhar
Que essas lagrimas tremerá até o teu coração.

Lampejar


Em teu sorriso há um lampejar
que me disperta na madrugada 
fazendo minha escuridão 
teus passos de guia
Para aonde faltar a verdade
ser luz em suas trevas 
Ainda sim amando a noite
como a falta de amar
A ternura da amante
como espelho de nossas falhas
Mais tu é meu amigo
compadre dos meus dramas
guerreiro vitorioso há em ti
forte como as trevas
e libertador como as luzes

Por Manfrá

segunda-feira, 26 de março de 2012

Podre inveja



O alvoroço foi alto de mais
e perguntaram quem me ouviu
fui feito de remorso 
Por quem não me deduziu
De longe me olharam atento
como se quisessem me roubar
Me fazer de escravo também
Para suas mentes me matar
Pois daquilo que foi visto
pouca gente entendeu
quando eles voltaram com mais risos
prevenido eu estava
contra todos seus episodios repetidos
com um pensamento de me fazer vomitar
Dançarinas deselegantes
roubando o filme para sonhar
Homens sem cérebros
Desafiando todo nosso bem-estar
Pois aonde houve sorriso
Ali também ouve inveja

Por Manfrá

sexta-feira, 23 de março de 2012

Reino da cobiça



Quando se pensa que está fugindo
só está de verdade longe de você mesmo
Tentando de todo o jeito encontrar abrigo
para esquecer aquilo que você vê
Porque nem sempre todos veem aquilo que você vê
nem julgam pelo seu mesmo critério 
As vezes estamos tão desligados da verdade
que inventamos nossa própria realidade
Nem tudo o que você diz é sincero
nem tudo o que você faz é mentira
Há um pouco do açúcar na terra assim como o sal
Para dar sabor em nossas vidas
na existência de nossos verões e invernos
Porque na verdade nem tudo o que dizem ser vida, é vida
Ou que todo o limite deve ser ultrapassado
Você é capaz de tudo, mais nem tudo lhe é licito
Todos quando correrem para um lado, lembre-se:
Eles podem estar errados e você certo
Não é questão de fé, mais de sabedoria
Aprender com os erros para encontrar a felicidade
Caminhe com os tolos e se tornará tolo
caminhe com os sábios e se tornará sábio
Pense como os livres e se tornará livre
Veja, pois, como que o pior cego não é o que não vê
Mais o que não busca conhecimento para si mesmo
Pois a vida não traz a virtude, mais a virtude faz a vida
Enquanto o dinheiro é a recompensa dos maus
a liberdade é dos bons
Esquecem que a maior riqueza não é a material
mais a qual não se vê
Aquela que o verdadeiro louco busca
Humildade e paz no reino da cobiça

 Por Manfrá


quarta-feira, 21 de março de 2012

Noster amicus



Reconheceras teu amigo ao passares
pela desgraça e pelo sucesso
enfrentaras teus inimigos juntos
Pela prova de fogo teu amigo se queimará
Mais vós se fortaleceram um ao outro
Quem pisares em falso é justo que
o outro segure a mão de seu amigo
E não deixe de se perder
a vossa amizade pura
Que não seja contaminada por dinheiro ou paixão infame
nem interesse egoísta que possa ferir um ao outro
Mais que sobre ou qualquer circunstancias
sempre caminhes um ao lado do outro
pelas tempestade e marés que enfrentarem
Nunca abandone seu amigo
Que o vosso corpo seja apoio um ao outro
e sempre esteja preparado para agir
Se não lutando pelo mesmo ideal
Pelo menos respeitando cada qual sua escolha
Sem ferir ou prejudicar alguém
Que todos sejam
fortalecidos por amizades verdadeiras

Por Manfrá