sexta-feira, 7 de abril de 2017

Humano além do pano

Sou humano além do pano, ledo engano
Sou humano além do traço, mero laço
Não sou a soma de seus cheques blindados
Contra rótulos me aponho
Sou pedra de tropeço para quem me julgava, abandono
Sou humano que também apanha, mero boato
Humano que não me apoio, humano estranho
Humano que me acanho, que pisa em pé inchado
Que não sabe dizer um: eu te amo
Humano desumano, humano que já não mais me espanta
Acostumado com suas varianças
Mudanças nas instâncias
De qualquer forma de poder que nos ameaça.

sábado, 25 de junho de 2016

Calo de inchaço

Calo de inchaço
Inchaço que não me calo
Calo que me morde
Que desbota meu céu azul
O que quer eu que conte será pesado
O que quer eu que nos incomodava, será inchaço
Inchaço nos punhos e nos rostos das senhoras
Ônibus lotados, olhares massacrados
Sei o que eu tenho ouvido
E o que não sai do meu ouvido
Nos sugam até a última veia
Calo de inchaço que nos fizeram carregar
Amedrontando meio mundo
Tirando sono de pai de família
O que que eu conte será pesado
Será martelo que para nós tem peso
Homem velho de terno e gravata
Esquecido de seu povo
Crianças rebolando
Na próxima parada de som de carros
Reiterem o boato
Refaça nossas margens
Deixem-nos viver
Como viviam os loucos
Que não amando esse mundo
Buscavam outro

quinta-feira, 2 de junho de 2016

Agricultor de corações



















Eu fujo
Fujo como cachorro louco
Não sou um cara que escreveria um livro
Eu ajuntaria pedaços de meus fragmentos
E esconderia os cortes debaixo do travesseiro
Aonde o ouvido dorme sossegado
E o coração finge que ouve
Há uma rixa dentro de mim
Há meio caminho andado
Há um cara que diz:
"Ei! você utiliza muitas metáforas"
E outro que diz:
"Seja mais razoável"
Diante da lagoa que eu nunca nadei na vida
Eu desejaria ser um peixe
E não me molestar
Com essas indagações
Mas sou bicho feito homem
O mais privilegiado e cruel dos seres
Dotado de consciência
Dopamina e endorfina
Se penso logo existo
O que eu tenho feito de minha existência?
Se não me dou bem com a meritocracia
E não me adapto ás hierarquias
Porque devo me considerar
Excluído socialmente ?
Se não corro para chegar primeiro
Se não me move suas paixões
Carros, posses e outros bens materiais
Porque devo me sentir 

socialmente fracassado?
Sou eu o agricultor de meu coração
Que habita na aldeia de meus pensamentos
Fugindo de Lamborghini
Ou a pé, eu sou o mesmo
Estou sempre descalço
Com a alma desnuda
Andando para trás
Desejando ser interessante e desejável
Renovável como a luz solar
Mas escuro em seu âmago

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Deserto

Deserto, salvação, ruas, feridas,
Amor! que como vela se consome
É mais alto que o grito
Volume ainda que ardido
Degusta de sua nudez
Faz barraco como um conde
Até o casebre se vestir de palácio
Coisas, pessoas, tempo e memorias
Desfechos sem nenhum final feliz
Lembranças que não mais lhe agridem
Vai saber, quantas coisas em mim matei?

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Ápice


Há mistério além daqui
Portas que nunca cruzamos
E deciframos tudo 
Em linhas tortas de giz
Sujo, porém mal amado
Eu nunca busquei
E nem mesmo tentei
Ser amado duas vezes
Esse é meu purgatório
Acreditar que não fui rei
Reclamar pelo que plantei
Matar o que me movia
Desperta-me para longe
Terra sem pornografia
Inocência não perdida
Tarde eterna e feliz
No meu amor de giz

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Afinando

Gosto do significado de rico em hebraico, que é "ashir", palavra formada pelas iniciais de "olhos, dentes, mãos e pés". Rico é quem tem olhos para ver, dentes para mastigar e falar, mãos para criar e pés para caminhar. Isto não se refere ao aspecto físico, mas à nossa capacidade de criar, compartilhar, amar e ser benevolente. Os gregos, por exemplo, descreviam os objetos em relação à sua aparência. Os hebreus, ao contrário, consideravam mais a essência e função das coisas. Exemplo: Se nos mostrassem um lápis e nos pedissem para descrevê-lo, como seria nossa descrição? Provavelmente, diríamos: “O lápis é azul”, ou “é amarelo”; “tem ponta fina”, ou não; “é cilíndrico”, ou “é retangular”; “é curto”, ou “é comprido”; etc. Um hebreu descreveria o mesmo lápis de forma bem mais simples e objetiva: “É feito de madeira, e eu escrevo palavras com isto.” O estilo de descrição dos hebreus era também pessoal – o objeto era descrito de acordo com a relação dele com a pessoa. Ao descrever um dia ensolarado, em vez de dizer: “O dia está lindo”, um hebreu diria: “O sol aquece meu rosto!”. Na cosmovisão hebraica, a essência das coisas e sua função eram mais importantes que a forma ou a aparência. Na cosmovisão ocidental capitalista o indivíduo encontra-se envolvido por uma áurea que determina seu grau social. Seu sexo, sua faixa étnica, sua religião, sua ideologia política, sua classe social, entre outros, definem o nível de discriminação que o indivíduo irá sofrer ou não, as oportunidades que ele receberá e aquelas que deixará de obter, as dificuldades do caminho, enfim, seu "status social"
"O "saber" e o "ser "já foram bens de alto valor moral social. Hoje vivemos os tempos do “ter”, em que não importa o que uma pessoa saiba ou faça, mas sim que ela tenha dinheiro (de preferência muito) para pagar por sua ignorância e por suas falhas de caráter. Nesse cenário propício surge a cultura da “esperteza”: temos que ser ricos, bonitos, etiquetados, sarados, descolados e muito invejados. O pior dessa cultura é que seus membros sociais não se contentam apenas com o “ter”, é necessário exibir e ostentar todos os seus bens. Assim ninguém esquece, nem sequer por um minuto, quem são os donos da festa. (Trechos selecionados do livro Mentes perigosas: O psicopata mora ao lado - Páginas 157 e 158:)
Acredito que status social devia ser caráter, já conheci pobre muito rico e rico muito pobre, orgulho disfarçado em roupagem de humildade e inteligência e beleza se perderem por causa da arrogância. Como diz aquela frase de Matheus Dimitru Scutasu:"Conheci um homem tão pobre, mas tão pobre que só tinha dinheiro." Imagine como o mundo seria um lugar muito melhor se as pessoas tão somente deixassem de definir e julgar o próximo segundo seu sexo, etnia, religião, dinheiro e etc. E vissem somente o valor intrínseco do ser humano, não visando somente a aquisição de dinheiro, mas na lapidação de um caráter nobre. E que o "bem-sucedido" não é aquele que possui riqueza material, mas aquele que é rico no amor, que ama o próximo, respeita e que não discrimina ainda que discorde. E que a pior doença não é a física, mas aquela que se caracteriza pela ausência de conceitos abstratos, como o amor e a humildade. Sem esquecer que é fato que o estresse mental pode ter um impacto negativo na saúde física. Quando deixamos de basear nossas concepções e valores pelo o que a sociedade de massa prega, quando nos afastamos de sua massificação e padronização com suas ideias que induz as pessoas a se comportarem como meros consumidores e contribuintes e não como cidadãos dotados de espírito crítico, aí então, estamos próximos de nossa verdadeira essência e identidade. Paulo Freire escreve: A massificação transforma os homens em seres passivos, acomodados, ajustados, incapazes de decidir, sem liberdade, e, portanto, heterônomos. Por isso, o homem não deve acomodar-se no mundo, e sim integrar-se no com o mundo. A sabedoria antiga ensina: "E não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente" Romanos 12:2. Pois, como bem escreveu Kin Hubbard: "É difícil dizer o que traz a felicidade, a pobreza e a riqueza, por exemplo, já falharam." Bem, no mundo atual, o amor, em suas várias formas, se resume muitas vezes a um mero sentimento. Mas prefiro a visão hebraica que ensina que amor é mais que isso: é uma escolha, é algo prático, traduzido em ações.

sábado, 31 de outubro de 2015

Céu da boca















E quando você se cansar?
E me deixar no horizonte?
Deixar de ver as flores e o seu aroma
E começar a se perturbar pelos espinhos?
Quando minha feiura sobrepor minha beleza
E eu tiver nadado até a última praia
Atrás de pérolas que se dissolvem na mão?
Como areia movediça você se fez
E me capturou em suas redes armadas
Mas minha carne contém espinhos
E depois da fome saciada o espinho virou lixo
Os pés depois de enxaguados inundaram
Meu ilhado ser
Já fui depositado entre as covas
De tartarugas mortas
Rodopiei o mundo e encontrei
Um revolver no meu quarto
Mesclei dopamina com você
E não amei mais a pornografia
Não percebi seu afeto
E morri de paranoia
Alimentando a escuridão
Engolindo lâmpadas
E quando você não me quiser ?
E eu estiver acampado em seu coração ?
E se sua terra encher de néctar ?
Que traga menos ferroadas
E não te deixe solapar as entranhas
Fisgadas no fundo do estômago
Sei quantos nós eu trago
Quantos arranhões sobre a pele
Sinto que canso
Que não sou bom o bastante
Desperdicei tempo com refrigerantes
E possuo pouco cálcio
Meus dentes rangem de apreensão
Tornando pontas pontiagudas
O céu da sua boca é o meu céu
Tua linguá minha terra prometida
Se eu perder o foco eu me afogo
Nessa ilha aonde acordei sem você
Era cinza aquela amanhã
Eu desesperado me arrependi
Chorei com Deus
E ele chorou comigo.




quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Contrapeso

De canto
Deixo meu reclamo
Formosa viela
O que fizeram com nossos filhos ?
Abastecido de murros
Murros contra esse mundo
Não quero lua sangrenta
Nem muito menos ver a rua sangrar
Não abafe a nossa dor
Deixe-a respirar
De encanto e recanto
Só encontrei no amor
Puro sem ser fingido
Louco sem ser insensato
Na bala que impediram o nosso avanço
Construímos barricadas
E argumentei comigo mesmo
Divagando sobre a vida
Existência além de escalas
Organismos violentos
Que as vezes nos excedem
Mas como contrapeso
Meu poema
Para enfrentar a realidade
Superar o dia a dia
Demonstrar além das expectativas
Viver além das estatísticas

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Eu poderia
















Um vazio, um vácuo, o que importa? Ela partiu
desfazendo a noite no meu mundo de drogas
entre pensamentos, mentes o que sorriu
foi o beijo explodindo como um pavio
minhas crenças, rezas e mantras
inúteis a voz que me chama
a sair da cela que me fiz vilão
Para não me emboscar mais em sua teia
poderia eu ter apertado o gatilho
de minha pobre e doce invenção
que tentei de moldar no meu viver
e esquecer que também sou culpa
que pisaria em nossos cadáveres
almejando subir andares
do inferno ao céu
paciência vencida
paz devolvida
já não sou mais uma alma caída
ou ovelha descarregada
levantei te seguindo do rastro
que te fiz sangrar sem merecer
sussurrando em seu ouvido
que te amo é o meu adeus
e o meu adeus é o meu braço estendido
precisava dela interiormente
naquilo que bate e ninguém entende
que nas noites frias me fez alguém
amado ou desprezado
me deixava atordoado
vontade de te ver apertada aqui dentro
ocupando todo o espaço
que deixei vazio para mim
guardando futilidades e vaidades
que despacho agora com virilidade
a morte que vive em mim
pois meu coração egoísta e confuso
agora entende você longe de mim

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Ironia utopica


Veja você, sinta, experimente, escorra pelas bordas até se tornar a imagem perfeita da imperfeição, esconda-se, entenda pelo menos uma vez que sua empatia é patética, que seu sorriso é perfume para pombos..... Quero que percorra todo o caminho de volta e preste atenção aonde você deixou cair seu senso critico daquilo que é desprezível....    Tornei sua maldição, sua cura, sua doença.... esvazie isso que eles chamam de cérebro e preencha com humildade.....   Veja, entenda e evoluí...
Dobre, amasse e queime, seu repugnante mundo sem cores.      Vestindo o errado com aparência de certo,deixando ossos para os cães, matando o saber, escravizando a mente,
se reinventando em cada droga que o sistema injeta em sua mente.  Sua moda é infalível, sua novela meu câncer, seus dejetos são meu almoço e sua descarga a minha casa.

segunda-feira, 22 de junho de 2015

Dura palavra















Por medo e covardia fui para longe
Por não enfrentar a verdade
Palavras proferidas sem mel

Pertubando espirito sem paz
Nem imaginam quanta dor

Nós tivemos que carregar
Nem sabiam distinguir a verdade

Intenções no coração
Sem seio e desarmado eu fiquei

Quando traí meu refrigério
Parti da cidade rumo ao porto

Para o mar de compreensão
Partidas que arrastam em cordas

Lembranças que trazem cargas
Obestinado a amar e ser amado
Mesmo que seja dura a palavra
Se mata ou da vida
Não interessa a dentes alheios
Nem queria que me abatesse
Sua coragem sem olhos
Ou tola intrepidez

Destinado a ferir-me

segunda-feira, 11 de maio de 2015

Rinite





















Eu vi, vi que era louco
Quando o grito se instalou na garganta
Quando a alma que ama também sangra
Eu vi, vi que era louco
Vivendo no meio dessa gente "sã"
Acostumado ao tédio
Homem subalterno
Eu vi, vi que era louco
Quando os sábios desse mundo
Ensinaram o caminho da guerra
Que classes não é classic
Para quem vive nas classes baixas
Entre cortes cuspidos
Corpos ardidos
Ardendo como chama
Re-vol-ta
Na cara da polícia
Cria da burguesia
Que se repita!
O amor e a poesia
Pois ambas são uma
Apontadas contra a cara da tirania
Seja dos sentimentos
Ou dos generais
Ferido por fardas
Ou canções de amparo
O que o homem não pode inventar
É a minha vida apegada a sua
Sem rinite
Sem artrite

quinta-feira, 16 de abril de 2015

Cinza


Como um gesto de cativo
E te faço amparo para dias cinzas
Amanheço mesmo quando não quero
Quando não subtraio o que te resolve
Panela de pressão ecoando pela sala
Sociedade mórbida que tivemos que inventar
Janela doce de minha infância
Que tentaram fechar
Já não há mais espamos

Galho que te cutuque a noite
E te faça acordar do sonho
Para o que te faz sonhar
Acorrentar nunca mais
Aos horrores da vida cotidiana
Vida sem obituario
Amores sem tiroteios
Existência que eu quero
Que me move quando amanheço.

sábado, 4 de abril de 2015

Filé de peixe
















Eu tive medo de ser
E nunca mais subi naquela gangorra
Eu me vi açoitado
Por meus dizeres e pensamentos
Do gramado daquela casa
Eu nunca mais caí por brincadeira
Do alto daquela árvore
Eu nunca mais me apaixonei
Nem me vi mais
Com asas de imaginação
Voando sobre os alicerces
Paixão que vence o terror
Quanto mais eu sabia
Mais eu via como esse mundo era triste
Voando do teto para as estrelas
Vista panorâmica do que me retenho
Quanto mais amor me tinham
Mais eu não entendia
Como podem me amar tanto
Me ter entre os puxões de orelha
Suportar minha loucura
E ainda me carregar quando estou caído?
Por essa envergadura
Eu me quebro e me amasso
Me rasgo como filé de peixe
Me ponho em seu prato
Me abstenho da infelicidade
Do olho torto
Do pé que resvala
Me aguço desejar
Ver povo lutar
Abdicar do que o oprime
Lunático pelo abstrato
Crente no amor.

domingo, 22 de março de 2015

Cidade charada

Por isso que escrevo com giz de cera, realidade foi o que eu não quiz sentir, maldade dos passos que avançam pela cidade, sobre a poça de sangue, inocente ou culpado.  As vezes vejo desespero disfarçado em pele de orgulho, areia dentro de seus ouvidos entupindo todo discurso no vazio, ferida disfarçada com sorriso, para quem não sabe mentir, e vive correndo da verdade, o obstáculo é você mesmo, sobre a morte de um homem só, enfrentando seus dogmas e paradigmas.  Corram! dizem eles, para que não sejam contaminados, mas vendidos estão todos seus direitos, acorrentados até as cordas do inferno, carregando suspeito como bandido, de terno ou eloquente pregador, enfeitando a cidade charada, que me fez sentar nela, e falar de sua maldade e mordida cruel, que fez rasgar o sonho de muitos loucos, poetas, bêbados e sonhadores.   Cidade charada estou cagando pra ti.

Por Manfrá

domingo, 4 de janeiro de 2015

Estátua de pó

Eu vejo os olhos dela
Rota ardente de visão
Maça vermelha no rosto
Estátua de pó
Estou ficando assim
A cada dia pior
Morrendo como uma lesma
Banhado pelo sal
Frutificando bolhas
Estouradas pelo sol
Como musgo que renasce
Cocaína que empedra
Relva que queima
Sonhos de um homem
Eu vejo os olhos dela
Olhos de como quem que não quer nada
Saindo pela sala
Me deixando no escuro
Espero que revolte
Que enlouqueça
Nossos sentimentos mais sujos
Fera mansa do amor
Que não contorne o retorno
Que inflija o pedágio
Que fure a catraca
Que se doe
Sem medo de doer.

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Interligando




















Aprendi que é mais sábio
ouvir do que falar
mas se calar diante da injustiça
é consenso e covardia
quantas intenções há nos corações?
quantas mentes sem noção?
quantos estômagos fartos
reclamando de barriga cheia?
pisando o casebre
enriquecendo a mansão
zombando da fé do pobre
que o conforta na solidão
nessas redondezas
só se ouviu falar do amor
nessas quebradas
Jesus andaria e não desprezaria ninguém
nessa bocada
coração virou pedra
Nessas avenidas
Por essas vias
Vida que se via
E que já não se vê
dessa fossa
pobres viraram reis
a disciplina com amor
causou diferença
a disciplina sem amor
gerou indiferença
o grito de subversão
ecoa para toda eternidade
o da ganância
corroe como câncer novo
estabelecendo rotas
traçando mapas
calcando mazelas
hienas no poder

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Batatas fritas

Vou me esvaziar para captar cada gesto de afeição
Torná-las reais com o sopro do meu desprezo
Ò terra de insensatos e paralíticos dançantes
Viram a deturpação em mim?
Sou a decadência e a raiva
Sem donzelas e modelos bitchens
Vou a farsa encontra a verdade
De toda a culpa que depuseram em mim
Eu me auto-emagreci
E encontrei a tigela vazia em cima da mesa
Na lentidão que bate no peito do pobre poeta
A sensação de ar livre no esgoto ao céu aberto
A falta de felicidade por programas topa-tudo por dinheiro
Quisera eu poder salva-los
Da suas próprias ironias e intestinos
Fartos de batatas e cabeças fritas
No envelope vazio sem poema
Que nunca existiu
Por sua tola
Entrepidez

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

História extinta

Essa é a história que não merece ser contada
Não merece ser ouvida
Extinta é o que deveria ser lhe feita
Mas a razões para que isso se finda
Que trague luz para desconhecidos 
E revele nossos passos 
Que não se amontoe rotina sobre a vida 
E se faça livre como dos índios  
Que a história traz sangue 
E o homem branco como principal ator 
Que as histórias dos generais 
Não são nossas histórias
Quantos passos se dão daqui 
Até o parágrafo final? 
Palavras malditas medidas 
Por engenheiros mentais
História é sujeira 
Debaixo do tapete sendo redescoberta
Desmascarada em sua oblação 
Sacrifício é o que fazemos 
Vencendo a nós mesmos
Andar nesse mundo como estrangeiro
Peregrino sem terra natal
Ser visto do alto como filho de Deus 
De baixo como louco suicida.

domingo, 11 de maio de 2014

Invenção do crack
















Quem sou eu que passa na multidão
Invisível entre as pessoas?
Esbarro em um, tropeço em outro
Sigo em frente apertado como um nó
Corpo amassado e irreconhecível
Lá no fundo aos olhos de quem vê
Não sai da multidão eu que quero sair
Sai gente e entra gente
E continua tudo embasado
Viro para um lado e para o outro
Acanhado e chateado
Tá tudo achatado
Desse lado de cá
Não da nem pra conversar
Derrepende sou eu que falo:
Da um dez ae!
Sujeito esquisito que me olha
De repente solta a pergunta:
Quer uma pedrinha aí ?
Afirmo que sim
Pego uma lata qualquer no chão
Toda pisoteada e desfigurada
Fumo ali mesmo sem receio
Sem dó e piedade
Neguinho me olha fissurado
Tenho que parar
Guardar minha pedrinha pro jantar
Vou viajar daqui
E vou de lata
Primeira classe
Da esquadrilha da fumaça
Não sou rei, não sou herdeiro
Sou invenção do crack
Pedra do mal
Sujeito do mal
Vou sair da multidão
Do inferno cracolândia
Tá muito embaçado aqui
Não da nem pra respirar!

segunda-feira, 31 de março de 2014

Surtir













Mesmo que eu falasse sobre o amor por noites inteiras
e pregasse sobre a humildade nos campos e cidades
E tivesse a chave para o portão da liberdade
A calmaria de toda a raiva
A Paz para todo o ódio
E a luz para todos os povos
Mesmo que sacudisse o mundo com minhas mãos
e gritasse para o universo inteiro
E tivesse o caminho da felicidade eterna
A solução para todos os problemas
E respostas para todas as perguntas
De nada adiantaria para uma sociedade orgulhosa
ignorante e preconceituosa.


terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Fruta atômica















Escravo do futuro
Refém do passado
Não arrumei temperança
E me autodestruí
Já fui achado sofrendo por mim mesmo
Por algo que eu não cresci
Se a vida me desse alguns tapas
eu acordaria para o que disse
Que já fui mal de minha sorte
E sombra de meus dias quentes
Vivendo nessa corda bamba
Desejando voltar para o seu umbigo
Não desejar mais essa infelicidade
Que me pôs os pés sobre seus escombros
De cidade fedida e caída
para céu azul e mato abundante
Senzalas nunca mais
Para quem foi feito filho de escravo
Vilão nunca mais me achou
Perdido entre os restos de sua historia
Que de uma fruta proibida
Á uma bomba atômica
Todos nós
Se tornamos culpados
Me equilibrando entre eu te amos
Tentando sossegar minha sede
Já cai por desespero
Falta de fé comigo mesmo
Não queira essa inveja
O mal que te domina
Pois essa cruz é covarde
E mata quem te ama
Deseje estar perto
Não longe
Não cobice violência
A paz que te mereça.

sábado, 1 de fevereiro de 2014

Selva de louco






















Liberdade é o que presa
mais está longe de ti
a realidade em seus pensamentos
é diferente da minha
sua experiências
não dizem nada sobre mim
ecoado pelo funil do tempo
não sobrou nada de si
as vezes é necessário fugir
para poder resistir
a toda essa mania
De falso canalha e mentiroso
que a vida pode te apresentar
tenha noção do que se transforma
e não deixe de ser transformar
Não pense que sabe tudo
nem que não sabe nada
a paz é um caminho estreito
e eu estou longe dela
confiar em gente é loucura
que até um animal comete
estar ciente do perigo
é estar ciente das regras
mais se está livre
nada te impedirá
Se sou homem ciente do amor
vou procura-lo mais afundo
longe de toda essa bobeira
de selva de pedra
que curva homens à objetos
matam seus semelhantes por moedas
vendem a vida
por nada

domingo, 29 de dezembro de 2013

Abstrato














EMPOEIRADA OU VAZIA
SUA SUJEIRA ERA MINHA
VAZIO EXISTENCIAL EM QUESTÃO
OU SÓ MAIS UM PARAFUSO SOLTO
EU PERCORRI TODO AQUELE CAMINHO
PARA ME ENXERGAR MAIS UMA VEZ
QUE SOU ABSTRATO EM SEU RETRATO
REFLEXO EM SUAS PARANOIAS
IDEIAS DE SEMIDEUSES
PLANTADAS EM SEU SÓTÃO
PAREDES PIXADAS NO AR
TETO VIBRANDO MELODIAS
ENXERGANDO ALÉM DO COMERCIAL
EMBALAGEM VALORIZADA
PRODUTO SEM CONTEÚDO
GRITANDO EM SUA PRATELEIRA
MORRENDO A CADA INSTANTE
FIBRA ILUSÓRIA DE INGRATIDÃO
ALIMENTANDO NOSSOS EGOS           
EGOÍSMO E ORGULHO CHEIOS
DE INTERESSES SEM SOL
PARA ESCURECER NOSSOS MUNDOS
E ESQUECER TODA VASTIDÃO
ESTACA QUE CRIAMOS ATÉ AGORA
PARA MATAR MONSTROS QUE VIVEM EM NÓS
EXPULSEMOS SEM DIREITO A COMPAIXÃO
NOSSOS PENSAMENTOS MAIS SUJOS
ESCRAVIDÃO FOI O QUE EU VIVI
POR NÃO ME PERDOAR POR INTEIRO
NÃO QUERO QUE CARREGUE ESSA CRUZ
DE MENTIRAS E ILUSÃO
FALSA DE LUZ E DE SUAS IDEIAS
DESNUDA PARA LOUCURA
DESIMPEDIDA PELO AMOR.

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Geração crack















o sangue corre solto
regando o solo desse dia
a experiência que eu proponho
não é lunatica nem vazia
grita nas mentes mais loucas
o ouro que roubaram
o amor que negaram
o sangue que não pouparam
há muitas historias nas ruas
mais lindas que belas poesias
amor não comercial
nome vomitado num refrigerante
povo digno
maior que seus politicos
essa é a nossa plebe
escudo contra seus inimigos
do poder à televisão
toda poesia que inalaram
de nossas queimaduras
familia oprimida
esquecida em casa abondonada
abro a janela e vejo cinza
e o verde se distancia
como a fé de nossos irmãos
a caricatura está ali
demonstrando nosso erro
Estatua erguida e embassada
de lideres que não nos lideraram
Historias de generais e reis
que não nos regiam
miseria antecipada
pela ganancia dos que oprimiam
essa é a nossa voz
geração crack
esse é o nosso óbito
morte contra o progresso
revolta contra a ordem.
 


terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Hipócritas desguarnecidos

























Já conheci gente louca que se dizia sã
Que não se humilhava por um prato de comida
Que não entendia o mundo além do seu espelho
Desprezo alheio eram seus paradigmas
Feitos um para outro, hipócritas desguarnecidos
Eu não sou desapego nem medo que te mate de dia
Eu não sou confiável, conheço meus anseios
Desfecho de um mundo em agonia é o que tenho apreço
Louco amanhecido gritando na rua, despertando multidão alheia
Olhares que não se podem distinguir, hipnotizados pela lente manipuladora
Eu vejo a farsa que nos encarceraram a vida, presos naquilo que possuem
Montanha de onde descende ? Para eu me ver longe da sociedade doente
Longe daquilo que possuo e do que deixo me possuir
Monte sobre esse barbante e fale-nos sobre a vida
Corra para o que te quer bem, mesmo que me deixe sozinho nessa fantasia
Já fui julgado por leis que não me regiam, celas que não me diziam
Que num momento eu me extinto e despisto seu olhar torto
Olho através do que me edificou, fé de mãe que se assemelhava ao pai
Não mais mentindo, contando a verdade num texto
Medo, vergonha, hipocrisias, tudo o que era segredo
Queimando em minhas poesias.

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Vinte e quatro
















Sangra dentro de mim
misérias e covardia
Não se apegue a esse sol
que te queima durante o dia
sou instrumento sem chave
mentiroso em cativeiro
se me sinto pesado
descarrego minhas munições
lavrando essa terra tarde
amarga de minhas burrices
me pego triste e redimido
no amor que me repreendeu
quantas pegadas que deixei
massa bipolar em erupção
quer queira quer não
mal visto por olho banal
vendo que estou desnudo
fracasso em ejaculação
merdas psíquicas traumatizadoras
neuroses no meu varal
busco mas não formo ideias
que descreva esse espírito
sujo porém mais vivo
de muita maior conotação

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Fé encardida

Senti que precisava dele
Mas um sentimento de orgulho
apoderou-se de mim
Nela eu me acorrentei
correntes de embriaguez
Eu me vi necessitado
de sua ajuda e abraço
Expus minha maldade
intenções podres
que habitavam-me
Não sou digno de cuidado
nem espero compreensão merecida
Perdido estou eu quando confesso
perdido nos erros que vou cometer

sábado, 16 de novembro de 2013

Miséria amarga

















Não foi de ontem que eu me peguei assim
encabulado no meu canto
reencontrado nos meus campos
de adversidade e aprendizagem.
Precisei ir para longe
dar um tempo das pessoas
não que eu as amasse menos
só não me amava mais
assim estava sozinho
assim me mantive
não sei quantas vezes mais
que tentei fugir em meus pensamentos
penso em pó, penso em revolver
montanha longe daqui.
Mistério é o que não penetro
vendo você encurralada em mim
não te quero minha refém
minha espada
dia frio e ensanguentado
escrevendo nossas historias
cinza sai de mim
e me traga a sorte de um sol
traga a lua para iluminar
ver nossos passos na areia.
Hoje quando olho além daqui
vejo paradigmas que não criamos
acorrentados em nossa dor
miséria amarga é o que eles querem
mas meu velho não bufou a toa
e me ensinou dessa lição
aprendi que o mundo ensina
escraviza e elimina
quem se apaixona por ele
que é melhor manter os olhos altos
mantendo fé em Deus
que esse mundo é vil e passageiro
e entristece no final quem o ama.

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Paraíso imposto












Meus barulhos invadiram ouvidos
Ouvidos que te ouviram dizer
Que sou burro porque amanheço
E não amanheço do seu lado
Vontade eu lhe senti de escrever
E nunca mais dizer: Saudades!
Vontade também sentir de vencer
e correr com quem me ama
penetrar sem rasgar a alma de ninguém
nem ferir com tola intrepidez
armadas, ferinas, pó em meu nariz
sei quantas veze que pesei
o fardo que teria de carregar
se conheço minhas desvantagens
procuro ver além da paisagem
imposta, resposta vazia
que não preenche esse vazio
vou além daqui para repreender
todo mal gesto e palavra maldita
que queira ferir por egoísmo
despedaçar toda alma caída
paraíso imposto ou paraíso livre ?
diga-me quem inventou seu deus
Sei que minhas chagas falam de mim
e expõem minhas objeções e mazelas
Não quer latido alto
nem idéia provocante
que te apresente esteril e hostil
se falto com minha bondade
é porque em canil vil eu me crio
nem arrasto bandeira de ninguém
países, cidades, podre invenção
aonde vivem loucos
traídos por sua ilusão