quinta-feira, 16 de abril de 2015

Cinza


Como um gesto te cativo
E te faço amparo para dias cinzas
Amanheço mesmo quando não quero
Quando não subtraio o que te resolve
Panela de pressão ecoando pela sala
Sociedade mórbida que tivemos que inventar
Janela doce de minha infância
Que tentaram fechar
Já não há mais espamos

Galho que te cutuque a noite
E te faça acordar do sonho
Para o que te faz sonhar
Acorrentar nunca mais
Aos horrores da vida cotidiana
Vida sem obituario
Amores sem tiroteios
Existência que eu quero
Que me move quando amanheço.

sábado, 4 de abril de 2015

Filé de peixe
















Eu tive medo de ser
E nunca mais subi naquela gangorra
Eu me vi açoitado
Por meus dizeres e pensamentos
Do gramado daquela casa
Eu nunca mais caí por brincadeira
Do alto daquela árvore
Eu nunca mais me apaixonei
Nem me vi mais
Com asas de imaginação
Voando sobre os alicerces
Paixão que vence o terror
Quanto mais eu sabia
Mais eu via como esse mundo era triste
Voando do teto para as estrelas
Vista panorâmica do que me retenho
Quanto mais amor me tinham
Mais eu não entendia
Como podem me amar tanto
Me ter entre os puxões de orelha
Suportar minha loucura
E ainda me carregar quando estou caído?
Por essa envergadura
Eu me quebro e me amasso
Me rasgo como filé de peixe
Me ponho em seu prato
Me abstenho da infelicidade
Do olho torto
Do pé que resvala
Me aguço desejar
Ver povo lutar
Abdicar do que o oprime
Lunático pelo abstrato
Crente no amor.