sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Interligando




















Aprendi que é mais sábio
ouvir do que falar
mas se calar diante da injustiça
é consenso e covardia
quantas intenções há nos corações?
quantas mentes sem noção?
quantos estômagos fartos
reclamando de barriga cheia?
pisando o casebre
enriquecendo a mansão
zombando da fé do pobre
que o conforta na solidão
nessas redondezas
só se ouviu falar do amor
nessas quebradas
Jesus andaria e não desprezaria ninguém
nessa bocada
coração virou pedra
Nessas avenidas
Por essas vias
Vida que se via
E que já não se vê
dessa fossa
pobres viraram reis
a disciplina com amor
causou diferença
a disciplina sem amor
gerou indiferença
o grito de subversão
ecoa para toda eternidade
o da ganância
corroe como câncer novo
estabelecendo rotas
traçando mapas
calcando mazelas
hienas no poder

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Batatas fritas

Vou me esvaziar para captar cada gesto de afeição
Torná-las reais com o sopro do meu desprezo
Ò terra de insensatos e paralíticos dançantes
Viram a deturpação em mim?
Sou a decadência e a raiva
Sem donzelas e modelos bitchens
Vou a farsa encontra a verdade
De toda a culpa que depuseram em mim
Eu me auto-emagreci
E encontrei a tigela vazia em cima da mesa
Na lentidão que bate no peito do pobre poeta
A sensação de ar livre no esgoto ao céu aberto
A falta de felicidade por programas topa-tudo por dinheiro
Quisera eu poder salva-los
Da suas próprias ironias e intestinos
Fartos de batatas e cabeças fritas
No envelope vazio sem poema
Que nunca existiu
Por sua tola
Entrepidez

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

História extinta

Essa é a história que não merece ser contada
Não merece ser ouvida
Extinta é o que deveria ser lhe feita
Mas a razões para que isso se finda
Que trague luz para desconhecidos 
E revele nossos passos 
Que não se amontoe rotina sobre a vida 
E se faça livre como dos índios  
Que a história traz sangue 
E o homem branco como principal ator 
Que as histórias dos generais 
Não são nossas histórias
Quantos passos se dão daqui 
Até o parágrafo final? 
Palavras malditas medidas 
Por engenheiros mentais
História é sujeira 
Debaixo do tapete sendo redescoberta
Desmascarada em sua oblação 
Sacrifício é o que fazemos 
Vencendo a nós mesmos
Andar nesse mundo como estrangeiro
Peregrino sem terra natal
Ser visto do alto como filho de Deus 
De baixo como louco suicida.

domingo, 11 de maio de 2014

Invenção do crack
















Quem sou eu que passa na multidão
Invisível entre as pessoas?
Esbarro em um, tropeço em outro
Sigo em frente apertado como um nó
Corpo amassado e irreconhecível
Lá no fundo aos olhos de quem vê
Não sai da multidão eu que quero sair
Sai gente e entra gente
E continua tudo embasado
Viro para um lado e para o outro
Acanhado e chateado
Tá tudo achatado
Desse lado de cá
Não da nem pra conversar
Derrepende sou eu que falo:
Da um dez ae!
Sujeito esquisito que me olha
De repente solta a pergunta:
Quer uma pedrinha aí ?
Afirmo que sim
Pego uma lata qualquer no chão
Toda pisoteada e desfigurada
Fumo ali mesmo sem receio
Sem dó e piedade
Neguinho me olha fissurado
Tenho que parar
Guardar minha pedrinha pro jantar
Vou viajar daqui
E vou de lata
Primeira classe
Da esquadrilha da fumaça
Não sou rei, não sou herdeiro
Sou invenção do crack
Pedra do mal
Sujeito do mal
Vou sair da multidão
Do inferno cracolândia
Tá muito embaçado aqui
Não da nem pra respirar!

segunda-feira, 31 de março de 2014

Surtir













Mesmo que eu falasse sobre o amor por noites inteiras
e pregasse sobre a humildade nos campos e cidades
E tivesse a chave para o portão da liberdade
A calmaria de toda a raiva
A Paz para todo o ódio
E a luz para todos os povos
Mesmo que sacudisse o mundo com minhas mãos
e gritasse para o universo inteiro
E tivesse o caminho da felicidade eterna
A solução para todos os problemas
E respostas para todas as perguntas
De nada adiantaria para uma sociedade orgulhosa
ignorante e preconceituosa.


terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Fruta atômica















Escravo do futuro
Refém do passado
Não arrumei temperança
E me autodestruí
Já fui achado sofrendo por mim mesmo
Por algo que eu não cresci
Se a vida me desse alguns tapas
eu acordaria para o que disse
Que já fui mal de minha sorte
E sombra de meus dias quentes
Vivendo nessa corda bamba
Desejando voltar para o seu umbigo
Não desejar mais essa infelicidade
Que me pôs os pés sobre seus escombros
De cidade fedida e caída
para céu azul e mato abundante
Senzalas nunca mais
Para quem foi feito filho de escravo
Vilão nunca mais me achou
Perdido entre os restos de sua historia
Que de uma fruta proibida
Á uma bomba atômica
Todos nós
Se tornamos culpados
Me equilibrando entre eu te amos
Tentando sossegar minha sede
Já cai por desespero
Falta de fé comigo mesmo
Não queira essa inveja
O mal que te domina
Pois essa cruz é covarde
E mata quem te ama
Deseje estar perto
Não longe
Não cobice violência
A paz que te mereça.

sábado, 1 de fevereiro de 2014

Selva de louco






















Liberdade é o que presa
mais está longe de ti
a realidade em seus pensamentos
é diferente da minha
sua experiências
não dizem nada sobre mim
ecoado pelo funil do tempo
não sobrou nada de si
as vezes é necessário fugir
para poder resistir
a toda essa mania
De falso canalha e mentiroso
que a vida pode te apresentar
tenha noção do que se transforma
e não deixe de ser transformar
Não pense que sabe tudo
nem que não sabe nada
a paz é um caminho estreito
e eu estou longe dela
confiar em gente é loucura
que até um animal comete
estar ciente do perigo
é estar ciente das regras
mais se está livre
nada te impedirá
Se sou homem ciente do amor
vou procura-lo mais afundo
longe de toda essa bobeira
de selva de pedra
que curva homens à objetos
matam seus semelhantes por moedas
vendem a vida
por nada