sábado, 19 de novembro de 2011

O Tropeçar do pensar



 

O devorador se chamava Manuel
Padeiro da paulista
Português sábio
Que te fez calar
E te dizia:

Reflita, Reflita apenas nisso:

Que te fiz escorregar na sua razão
Me fazer aparecer no teu não ver
Foi me adiantar de mais
Devolver-me á escuridão
Que de todos os meus poemas
Do teu orvalho nasce o meu jardim
Não de sobrevivência por prazer
Mais de vivência por exigência
O teu relampejar me faz susto
E me devora pela cidade
Levando cativos meus instintos
De luta e embriaguez
Sou guerreiro armado com fogo
Para queimar a tua sanidade
Sou vaso não plantado
Nutrindo o saber
Sou jóia não rara
Enfeitando teu camelô
Sou adubo regado
Do teu cativeiro sem dor
Sou tesouro não achado
Pela sua ignorância infeliz
Queimando sua razão
Do sertão ao vosso coração
Vem rainha da chuva
Amedronta minha peregrinação
Do orvalho a escuridão
Do escuro ao meu orvalho
Vem de mim querer fazer
O tropeçar do teu pensar
Fazer-te enxergar 
O brilho da vida
O qual se perde, e se perdeu
Na tua necessidade
De me desprezar




Bom dia, Manfrá!

2 comentários:

  1. Muito bom mesmo seu texto...
    gostei do blog,
    pensamentos com conteúdo...

    seguindo.

    http://mmelomaisdomesmo.blogspot.com/2011/11/tempo.html

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