quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Ápice


Há mistério além daqui
Portas que nunca cruzamos
E deciframos tudo 
Em linhas tortas de giz
Sujo, porém mal amado
Eu nunca busquei
E nem mesmo tentei
Ser amado duas vezes
Esse é meu purgatório
Acreditar que não fui rei
Reclamar pelo que plantei
Matar o que me movia
Desperta-me para longe
Terra sem pornografia
Inocência não perdida
Tarde eterna e feliz
No meu amor de giz

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Afinando

Gosto do significado de rico em hebraico, que é "ashir", palavra formada pelas iniciais de "olhos, dentes, mãos e pés". Rico é quem tem olhos para ver, dentes para mastigar e falar, mãos para criar e pés para caminhar. Isto não se refere ao aspecto físico, mas à nossa capacidade de criar, compartilhar, amar e ser benevolente. Os gregos, por exemplo, descreviam os objetos em relação à sua aparência. Os hebreus, ao contrário, consideravam mais a essência e função das coisas. Exemplo: Se nos mostrassem um lápis e nos pedissem para descrevê-lo, como seria nossa descrição? Provavelmente, diríamos: “O lápis é azul”, ou “é amarelo”; “tem ponta fina”, ou não; “é cilíndrico”, ou “é retangular”; “é curto”, ou “é comprido”; etc. Um hebreu descreveria o mesmo lápis de forma bem mais simples e objetiva: “É feito de madeira, e eu escrevo palavras com isto.” O estilo de descrição dos hebreus era também pessoal – o objeto era descrito de acordo com a relação dele com a pessoa. Ao descrever um dia ensolarado, em vez de dizer: “O dia está lindo”, um hebreu diria: “O sol aquece meu rosto!”. Na cosmovisão hebraica, a essência das coisas e sua função eram mais importantes que a forma ou a aparência. Na cosmovisão ocidental capitalista o indivíduo encontra-se envolvido por uma áurea que determina seu grau social. Seu sexo, sua faixa étnica, sua religião, sua ideologia política, sua classe social, entre outros, definem o nível de discriminação que o indivíduo irá sofrer ou não, as oportunidades que ele receberá e aquelas que deixará de obter, as dificuldades do caminho, enfim, seu "status social"
"O "saber" e o "ser "já foram bens de alto valor moral social. Hoje vivemos os tempos do “ter”, em que não importa o que uma pessoa saiba ou faça, mas sim que ela tenha dinheiro (de preferência muito) para pagar por sua ignorância e por suas falhas de caráter. Nesse cenário propício surge a cultura da “esperteza”: temos que ser ricos, bonitos, etiquetados, sarados, descolados e muito invejados. O pior dessa cultura é que seus membros sociais não se contentam apenas com o “ter”, é necessário exibir e ostentar todos os seus bens. Assim ninguém esquece, nem sequer por um minuto, quem são os donos da festa. (Trechos selecionados do livro Mentes perigosas: O psicopata mora ao lado - Páginas 157 e 158:)
Acredito que status social devia ser caráter, já conheci pobre muito rico e rico muito pobre, orgulho disfarçado em roupagem de humildade e inteligência e beleza se perderem por causa da arrogância. Como diz aquela frase de Matheus Dimitru Scutasu:"Conheci um homem tão pobre, mas tão pobre que só tinha dinheiro." Imagine como o mundo seria um lugar muito melhor se as pessoas tão somente deixassem de definir e julgar o próximo segundo seu sexo, etnia, religião, dinheiro e etc. E vissem somente o valor intrínseco do ser humano, não visando somente a aquisição de dinheiro, mas na lapidação de um caráter nobre. E que o "bem-sucedido" não é aquele que possui riqueza material, mas aquele que é rico no amor, que ama o próximo, respeita e que não discrimina ainda que discorde. E que a pior doença não é a física, mas aquela que se caracteriza pela ausência de conceitos abstratos, como o amor e a humildade. Sem esquecer que é fato que o estresse mental pode ter um impacto negativo na saúde física. Quando deixamos de basear nossas concepções e valores pelo o que a sociedade de massa prega, quando nos afastamos de sua massificação e padronização com suas ideias que induz as pessoas a se comportarem como meros consumidores e contribuintes e não como cidadãos dotados de espírito crítico, aí então, estamos próximos de nossa verdadeira essência e identidade. Paulo Freire escreve: A massificação transforma os homens em seres passivos, acomodados, ajustados, incapazes de decidir, sem liberdade, e, portanto, heterônomos. Por isso, o homem não deve acomodar-se no mundo, e sim integrar-se no com o mundo. A sabedoria antiga ensina: "E não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente" Romanos 12:2. Pois, como bem escreveu Kin Hubbard: "É difícil dizer o que traz a felicidade, a pobreza e a riqueza, por exemplo, já falharam." Bem, no mundo atual, o amor, em suas várias formas, se resume muitas vezes a um mero sentimento. Mas prefiro a visão hebraica que ensina que amor é mais que isso: é uma escolha, é algo prático, traduzido em ações.