sábado, 19 de outubro de 2013

Poesia de virada


O telefone tocava
mas eu não me movia
dissecava meus sentimentos
em teclas encardidas
Agonia de espirito
é o que eu sentia
no trabalho que ardia
me sugava a vida
A música alta
pensamentos que ferviam
no meu mundo luto
loucura para escrever
bater a cabeça no escuro
me esquecer por um minuto
chamas é o que vejo
quando se contorce os olhos dela
batida de coração fraca
quarto cheirando maconha
sanidade pairando
sobre planicies insanas
não conto o que viu meus olhos
mas o que a alma resiste
persiste e insiste
em carregar para dentro
marcar no tempo
esse habito meu
de amar
o que no final
sempre vira
poesia

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Brisa de sol















A FEBRE DE QUEM PISO
AS MORTES DE QUEM PATROCINAM?
FOME DE QUEM NOS TORNAMOS ALTIVOS
NARIZ EMPINADO E POUCO ESPIRITO?
HOMEM DE TERNO E LINGUÁ ESQUISITA
QUEM MORRE PARA QUE ELE VIVA?
QUEM SE IMPORTA PARA O QUE MORREMOS?
SE MEU DIREITO CONCEDE NEGAÇÃO
SOU SUJEITO A NEGAR
QUE NÃO ME DESPIDO DA MORTE
E APAGO A LUZ DE QUEM MORRE
PARA ALIMENTAR
QUEM TEM BARRIGA CHEIA
OLHO EM MINHA VOLTA
E VEJO SUOR EM SUA PELE
NAQUILO QUE ME EXTINTO
RECRIO-ME MAIS FORTE
NÃO DESMORONO MAIS CASTELOS
DE AREIA AO RELENTO
SE PERDI A INOCÊNCIA
O MUNDO ME DEU A VIOLÊNCIA
SE CASTIGO MEUS IRMÃOS
CASTIGO A MIM MESMO
SE CEGO PARA QUE NÃO VEJAM
ME TORNO O PIOR CEGO
AONDE APRENDI A ESCONDER SUJEIRA
AS BARATAS VIERAM ME MOSTRAR
QUE O TEMPO A TUDO SE MOSTRA
E SE MOSTRA DE SUA MANEIRA
NÃO HÁ MAESTRIA NA CEGUEIRA
DE ALMA E ESPIRITO
SÃO TREVAS ARDENTES
ARDENDO SEM COMPAIXÃO
PARA QUE MORRE
E PARA QUE VIVE ENTÃO?
EMBOSCA-SE EM IDEIA FALSA
DE PEDRAS EM NOSSA MÃO
REFLEXO LENTO E DESBARATINADO
DESPERCEBIDO PELA MULTIDÃO
POVO LOUCO QUE DESTRÓI
O FUTURO DE SUA NAÇÃO
MATAM A SI MESMOS
POR DÓLAR OU REAL
POR QUALQUER DINHEIRO
E UMA BRISA DE SOL

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Identidade podre
















Tenho identidade podre
dialeto suburbano em meu diálago
oferenda não aceita
espamos violentos na minha noite
Olhos vi descobrir
aonde os conselhos levavam
jovem até quando mentir
esquecendo da morte que não perdoa
quantas vezes mais no chão
desiludido, perdido a se encontrar
Amando até que tudo se exploda
remova, desmova suas hipocrisias
farsa em toda ingenuidade
má intenção em coração vazio
ofertas de deuses deixo para lá
de lá, pra lá do meu desbaratino
aonde o tempo me venha sorrindo
sem cobrar nada de minha existência
Não tenha pressa nem do futuro e do passado
presos em seus proprios erros do presente
Quantas vezes eu carreguei coroas
que não eram minhas e nem foram
Matei muitas lembranças
Matando meu coração fraco
Hoje estou cansado de toda chaga
religião podre roubando o povo
Fiéis que não mais se amam
reféns juntos pelo dinheiro
cidade louca insana que cresci
andando nos trilhos de loucura e medo
medo de quem atirava
medo de quem levou balaço
corte, atire, me desatine
mais não me deixe preso em seu palaçio
Não tenho andado cansado de mais
para me enganar pelo seu conforto a toa
Mundo que não entende
Consumismo que lhes prendem
Corre esnobe sem coração
rindo da tragédia alheia
mente louca que descende
de espirito nobre que abençoa
Não te entregue, não te meçe
com a régua torta dos que amaldiçoa
Se o instinto é um labirinto
e mesmo que não possua
Saída para toda essa dor
Vou assim seguindo
Clamando e lhe pedindo
Que não desista
Da vida!