sábado, 30 de junho de 2012

Jornal tequila

De Vasconcelos encardido ela me chamava, Vasconcelos que não quero, que não quero ao meu fim.  Mal entre mal, o televisor esquentando na tela do jornal, motorizado o permanente estado da mente humana, entre velozes e fudidos, perdas e ganhos da vida submissa ao finito, formal, pessoal condicionamento sub-humano de uma espécie entre si.  Quem ela era no meu processo de evolução? Margarita Tequila, Tequila de unhas encravadas, cérebro de gente que parece um animal.   Tem muita gente esquecida da tristeza, do infortunio que traz o homem a pensar, Margarita era vulção em erupção, como uma jarrada de fogo mortificada queimando ela e a mim num passeio pelas estradas de Monte-Carlo.  Como folgosa, folgosa ela me chamava, impertinente, perdida ao processo de elaboração, vazia como por dentro e por fora, devorando sua estrada de regresso, de seu habitat natural para sua casa de imaginação.  Como jovens eternos queremos morrer, morrer sem saber que vivemos para o nosso proprío caos, sem chance de roleta russa no final, a música continua tocando, mas ninguém consegue entendê-la, é impertinente aos ouvidos acostumados a serem tratados como lixeira, de dejetos e promessas esgotadas, tolas se comparado a sabedoria divina, sem pêssego na volta, somente obscuros desejos dos que ainda queimam em mim.

Por Manfrá

2 comentários:

  1. Depois de ler a primeira palavra que saiu da minha boca foi : "Porra!" Porra para expressar o quanto fiquei pasmo. Bom, muito bom mesmo. Cada frase escrita e descrita nas entrelinhas desse texto foram muito bem elaboradas, cada palavra foi domada perfeitamente. Gostei bastante. Estou lhe seguindo Fabrício. Bem-vindo ao nosso grupo do facebook. Adorei o link do blog, Parto da Lua, me soa demasiadamente pagão, foi uma boa escolha.

    www.depoisqueanoitece.blogspot.com

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  2. poxa...Maravilhoso, impossível não ler esse poema do começo ao fim de tão interessante que ele é ^.^

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