quinta-feira, 16 de abril de 2015

Cinza


Como um gesto te cativo
E te faço amparo para dias cinzas
Amanheço mesmo quando não quero
Quando não subtraio o que te resolve
Panela de pressão ecoando pela sala
Sociedade mórbida que tivemos que inventar
Janela doce de minha infância
Que tentaram fechar
Já não há mais espamos

Galho que te cutuque a noite
E te faça acordar do sonho
Para o que te faz sangrar

Acorrentar nunca mais
Aos horrores da vida cotidiana
Vida sem obituario
Amores sem tiroteios
Existência que eu quero
Que me move quando amanheço.

sábado, 4 de abril de 2015

Filé de peixe
















Eu tive medo de ser
E nunca mais subi naquela gangorra
Do gramado daquela casa
Eu nunca mais caí por brincadeira
Do alto daquela árvore
Eu nunca mais me apaixonei
Nem me vi mais
Com asas de imaginação
Voando sobre os alicerces
Paixão que vence o terror
Quanto mais eu sabia
Mais eu via como esse mundo era triste
Voando do teto para as estrelas
Vista panorâmica do que me retenho
Quanto mais amor me tinham
Mais eu não entendia
Como podem me amar tanto
Me ter entre os puxões de orelha
Suportar minha loucura
E ainda me carregar quando estou caído?

domingo, 22 de março de 2015

Cidade charada

Por isso que escrevo com giz de cera, realidade foi o que eu não quiz sentir, maldade dos passos que avançam pela cidade, sobre a poça de sangue, inocente ou culpado.  As vezes vejo desespero disfarçado em pele de orgulho, areia dentro de seus ouvidos entupindo todo discurso no vazio, ferida disfarçada com sorriso, para quem não sabe mentir, e vive correndo da verdade, o obstáculo é você mesmo, sobre a morte de um homem só, enfrentando seus dogmas e paradigmas.  Corram! dizem eles, para que não sejam contaminados, mas vendidos estão todos seus direitos, acorrentados até as cordas do inferno, carregando suspeito como bandido, de terno ou eloquente pregador, enfeitando a cidade charada, que me fez sentar nela, e falar de sua maldade e mordida cruel, que fez rasgar o sonho de muitos loucos, poetas, bêbados e sonhadores.   Cidade charada estou cagando pra ti.

Por Manfrá

domingo, 4 de janeiro de 2015

Estátua de pó

Eu vejo os olhos dela
Rota ardente de visão
Maça vermelha no rosto
Estátua de pó
Estou ficando assim
A cada dia pior
Morrendo como uma lesma
Banhado pelo sal
Frutificando bolhas
Estouradas pelo sol
Como musgo que renasce
Cocaína que empedra
Relva que queima
Sonhos de um homem
Eu vejo os olhos dela
Olhos de como quem que não quer nada
Saindo pela sala
Me deixando no escuro
Espero que revolte
Que enlouqueça
Nossos sentimentos mais sujos
Fera mansa do amor
Que não contorne o retorno
Que inflija o pedágio
Que fure a catraca
Que se doe
Sem medo de doer.

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Interligando




















Aprendi que é mais sábio
ouvir do que falar
mas se calar diante da injustiça
é consenso e covardia
quantas intenções há nos corações?
quantas mentes sem noção?
quantos estômagos fartos
reclamando de barriga cheia?
pisando o casebre
enriquecendo a mansão
zombando da fé do pobre
que o conforta na solidão
nessas redondezas
só se ouviu falar do amor
nessas quebradas
Jesus andaria e não desprezaria ninguém
nessa bocada
coração virou pedra
Nessas avenidas
Por essas vias
Vida que se via
E que já não se vê
dessa fossa
pobres viraram reis
a disciplina com amor
causou diferença
a disciplina sem amor
gerou indiferença
o grito de subversão
ecoa para toda eternidade
o da ganância
corroe como câncer novo
estabelecendo rotas
traçando mapas
calcando mazelas
hienas no poder

domingo, 11 de maio de 2014

Invenção do crack
















Quem sou eu que passa na multidão
Invisível entre as pessoas?
Esbarro em um, tropeço em outro
Sigo em frente apertado como um nó
Corpo amassado e irreconhecível
Lá no fundo aos olhos de quem vê
Não sai da multidão eu que quero sair
Sai gente e entra gente
E continua tudo embasado
Viro para um lado e para o outro
Acanhado e chateado
Tá tudo achatado
Desse lado de cá
Não da nem pra conversar
Derrepende sou eu que falo:
Da um dez ae!
Sujeito esquisito que me olha
De repente solta a pergunta:
Quer uma pedrinha aí ?
Afirmo que sim
Pego uma lata qualquer no chão
Toda pisoteada e desfigurada
Fumo ali mesmo sem receio
Sem dó e piedade
Neguinho me olha fissurado
Tenho que parar
Guardar minha pedrinha pro jantar
Vou viajar daqui
E vou de lata
Primeira classe
Da esquadrilha da fumaça
Não sou rei, não sou herdeiro
Sou invenção do crack
Pedra do mal
Sujeito do mal
Vou sair da multidão
Do inferno cracolândia
Tá muito embaçado aqui
Não da nem pra respirar!

segunda-feira, 31 de março de 2014

Surtir













Mesmo que eu falasse sobre o amor por noites inteiras
e pregasse sobre a humildade nos campos e cidades
E tivesse a chave para o portão da liberdade
A calmaria de toda a raiva
A Paz para todo o ódio
E a luz para todos os povos
Mesmo que sacudisse o mundo com minhas mãos
e gritasse para o universo inteiro
E tivesse o caminho da felicidade eterna
A solução para todos os problemas
E respostas para todas as perguntas
De nada adiantaria para uma sociedade orgulhosa.



terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Fruta atômica















Escravo do futuro
Refém do passado
Não arrumei temperança
E me autodestruí
Já fui achado sofrendo por mim mesmo
Por algo que eu não cresci
Se a vida me desse alguns tapas
eu acordaria para o que disse
Que já fui mal de minha sorte
E sombra de meus dias quentes
Vivendo nessa corda bamba
Desejando voltar para o seu umbigo
Não desejar mais essa infelicidade
Que me pôs de joelhos sobre seus escombros
De cidade fedida e caída
para céu azul e mato abundante
Vilão nunca mais me achou
Perdido entre os restos de sua historia
Que de uma fruta proibida
Á uma bomba atômica
Todos nós
Se tornamos culpados
Me equilibrando entre eu te amos
Tentando sossegar minha sede
Já cai por desespero
Falta de fé comigo mesmo
Não queira essa inveja
O mal que te domina
Sou o que sobrou do lúdico
E da criança incompreendida
Preso no porão de minha mente
Cavando na terra meu lar
Fugitivo da psicose humana.

sábado, 1 de fevereiro de 2014

Selva de louco






















As vezes é necessário fugir
para poder resistir
a toda essa mania
De falso canalha e mentiroso
que a vida pode te apresentar
tenha noção do que se transforma
e não deixe de se transformar
Não pense que sabe tudo
nem que não sabe nada
a paz é um caminho estreito
e eu estou longe dela
confiar em gente é loucura
que até um animal comete
estar ciente do perigo
é estar ciente das regras
mas se está livre
nada te impedirá
Se sou homem ciente do amor
vou procura-lo mais afundo
longe de toda essa bobeira
de selva de pedra
que curva homens
à objetos
matam seus semelhantes
por moedas
vendem a vida
por nada

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Geração crack















o sangue corre solto
regando o solo desse dia
a experiência que eu proponho
não é lunatica nem vazia
grita nas mentes mais loucas
o ouro que roubaram
o amor que negaram
o sangue que não pouparam
há muitas historias nas ruas
mais lindas que belas poesias
amor não comercial
nome vomitado num refrigerante
povo digno
maior que seus politicos
essa é a nossa plebe
escudo contra seus inimigos
do poder à televisão
toda poesia que inalaram
de nossas queimaduras
familia oprimida
esquecida em casa abondonada
abro a janela e vejo cinza
e o verde se distancia
como a fé de nossos irmãos
a caricatura está ali
demonstrando nosso erro
Estatua erguida e embassada
de lideres que não nos lideraram
Historias de generais e reis
que não nos regiam
miseria antecipada
pela ganancia dos que oprimiam
essa é a nossa voz
geração crack
esse é o nosso óbito
morte contra o progresso
revolta contra a ordem.
 


terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Hipócritas desguarnecidos

























Já conheci gente louca que se dizia sã
Que não se humilhava por um prato de comida
Que não entendia o mundo além do seu espelho
Desprezo alheio eram seus paradigmas
Feitos um para o outro, hipócritas desguarnecidos
Eu não sou desapego nem medo que te mate de dia
Eu não sou confiável, conheço meus anseios
Desfecho de um mundo em agonia é o que tenho apreço
Louco amanhecido gritando na rua, despertando multidão alheia
Olhares que não se podem distinguir, hipnotizados pela lente manipuladora
Eu vejo a farsa que nos encarceraram a vida, presos naquilo que possuem
Montanha de onde descende ? Para eu me ver longe da sociedade doente
Longe daquilo que possuo e do que deixo me possuir
Monte sobre esse barbante e fale-nos sobre a vida
Corra para o que te quer bem, mesmo que me deixe sozinho nessa fantasia
Já fui julgado por leis que não me regiam, celas que não me diziam
Que num momento eu me extinto e despisto seu olhar torto
Olho através do que me edificou, fé de mãe que se assemelhava ao pai
Não mais mentindo, contando a verdade num texto
Medo, vergonha, hipocrisias, tudo o que era segredo
Queimando em minhas poesias.

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Vinte e quatro
















Sangra dentro de mim
misérias e covardia
Não se apegue a esse sol
que te queima durante o dia
sou instrumento sem chave
mentiroso em cativeiro
se me sinto pesado
descarrego minhas munições
lavrando essa terra tarde
amarga de minhas burrices
me pego triste e redimido
no amor que me repreendeu
quantas pegadas que deixei
massa bipolar em erupção
quer queira quer não
mal visto por olho banal
vendo que estou desnudo
fracasso em ejaculação
merdas psíquicas traumatizadoras
neuroses no meu varal
busco mas não formo ideias
que descreva esse espírito
sujo porém mais vivo
de muita maior conotação

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Fé encardida

Senti que precisava dele
Mas um sentimento de orgulho
apoderou-se de mim
Nela eu me acorrentei
correntes de embriaguez
Eu me vi necessitado
de sua ajuda e abraço
Expus minha maldade
intenções podres
que habitavam-me
Não sou digno de cuidado
nem espero compreensão merecida
Perdido estou eu quando confesso
perdido nos erros que vou cometer

sábado, 16 de novembro de 2013

Miséria amarga

















Não foi de ontem que eu me peguei assim
encabulado no meu canto
reencontrado nos meus campos
de adversidade e aprendizagem.
Precisei ir para longe
dar um tempo das pessoas
não que eu as amasse menos
só não me amava mais
assim estava sozinho
assim me mantive
não sei quantas vezes mais
que tentei fugir em meus pensamentos
penso em pó, penso em revolver
montanha longe daqui.
Mistério é o que não penetro
vendo ela encurralada em mim
não quero minha refém
minha espada
dia frio e ensanguentado
escrevendo nossas historias
cinza sai de mim
e me traga a sorte de um sol
traga a lua para iluminar
ver nossos passos na areia.
Hoje quando olho além daqui
vejo paradigmas que não criamos
acorrentados em nossa dor
miséria amarga é o que eles querem
mas meu velho não bufou a toa
e me ensinou dessa lição
aprendi que o mundo ensina
escraviza e elimina
quem se apaixona por ele
que esse mundo é vil e passageiro
e entristece no final quem o ama.

sábado, 19 de outubro de 2013

Poesia de virada


O telefone tocava
mas eu não me movia
dissecava meus sentimentos
em teclas encardidas
Agonia de espirito
era o que eu sentia
no trabalho que ardia
me sugava a vida
A música alta
pensamentos que ferviam
no meu mundo luto
loucura para escrever
bater a cabeça no escuro
me esquecer por um minuto
chamas é o que vejo
quando se contorce os olhos dela
batida de coração fraca
quarto cheirando maconha
sanidade pairando
sobre planicies insanas
não conto o que viu meus olhos
mas o que a alma resiste
persiste e insiste
em carregar para dentro
marcar no tempo
esse habito meu
de amar
o que no final
sempre vira
poesia

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Brisa de sol















A FEBRE DE QUEM PISO
AS MORTES DE QUEM PATROCINAM?
FOME DE QUEM NOS TORNAMOS ALTIVOS
NARIZ EMPINADO E POUCO ESPIRITO?
HOMEM DE TERNO E LINGUÁ ESQUISITA
QUEM MORRE PARA QUE ELE VIVA?
QUEM SE IMPORTA PARA O QUE MORREMOS?
SE MEU DIREITO CONCEDE NEGAÇÃO
SOU SUJEITO A NEGAR
QUE NÃO ME DESPIDO DA MORTE
E APAGO A LUZ DE QUEM MORRE
PARA ALIMENTAR
QUEM TEM BARRIGA CHEIA
OLHO EM MINHA VOLTA
E VEJO SUOR EM SUA PELE
NAQUILO QUE ME EXTINTO
RECRIO-ME MAIS FORTE
NÃO DESMORONO MAIS CASTELOS
DE AREIA AO RELENTO
SE PERDI A INOCÊNCIA
O MUNDO ME DEU A VIOLÊNCIA
SE CASTIGO MEUS IRMÃOS
CASTIGO A MIM MESMO
SE CEGO PARA QUE NÃO VEJAM
ME TORNO O PIOR CEGO
AONDE APRENDI A ESCONDER SUJEIRA
AS BARATAS VIERAM ME MOSTRAR
QUE O TEMPO A TUDO SE MOSTRA
E SE MOSTRA DE SUA MANEIRA
NÃO HÁ MAESTRIA NA CEGUEIRA
DE ALMA E ESPIRITO
SÃO TREVAS ARDENTES
ARDENDO SEM COMPAIXÃO
PARA QUE MORRE
E PARA QUE VIVE ENTÃO?
EMBOSCAR-SE EM IDEIA FALSA
DE PEDRAS EM NOSSAS MÃOS?
REFLEXO LENTO E DESBARATINADO
DESPERCEBIDO PELA MULTIDÃO
POVO LOUCO QUE DESTRÓI
O FUTURO DE SUA NAÇÃO
MATAM A SI MESMOS
POR DÓLAR OU REAL
POR QUALQUER DINHEIRO
E UMA BRISA DE SOL

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Identidade podre
















Tenho identidade podre
dialeto suburbano em meu diálago
oferenda não aceita
espamos violentos na meia noite
Olhos vi descobrir
aonde os conselhos levavam
jovem até quando mentir?
esquecendo da morte que não perdoa
quantas vezes mais no chão
desiludido, perdido a se encontrar
Amando até que tudo se exploda
remova, desmova nossas hipocrisias
farsa em toda ingenuidade
má intenção em coração vazio
ofertas de deuses deixo para lá
de lá, pra lá do meu desbaratino
aonde o tempo me venha sorrindo
sem cobrar nada de minha existência
Não tenha pressa nem do futuro e do passado
presos em seus proprios erros do presente
Quantas vezes eu carreguei coroas
que não eram minhas e nem foram
Matei muitas lembranças
Matando meu coração fraco
Hoje estou cansado de toda chaga
Olheira que vem da alma
cidade louca insana que cresci
andando nos trilhos da loucura e do medo
medo de quem atirava
medo de quem levou balaço
corte, atire, me desatine
mas não me deixe preso em seu palácio
Não tenho andado cansado de mais
para me enganar pelo conforto à toa
Corre esnobe sem coração
rindo da tragédia alheia
mente louca que descende
de espirito nobre que abençoa
Não te entregue, não te meçe
com a régua torta dos que amaldiçoam
Se o instinto é um labirinto
e mesmo que não possua
Saída para toda essa dor
Vou assim seguindo
Clamando e lhe pedindo
Que não desista
Da vida!

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Velho trago


















Sei do que falei e do quanto errei
Suspirando nela minha fantasia
Luz clara que ilumina a vida
Como um nocaute antes do final
Embriagues tarde que te faz andar
Rodopiando mundo como um chapéu
Lição aprendida, dura e cruel
Se na minha infância eu cresci demais
Porque quero tanto aquela paz ?
Voltar ao passado de meus amores
Inocentes pela ingenuidade
Do valor sem vaidade
Do amor por sinceridade
Tenho evitado alguns pensamentos
Loucos, acessos que ainda queimam em mim
Me desapegando do sono
Me manipulando pelo abandono
Que ontem se era jovem já não sabia
Que a vida te faz aprender
Que o coma resiste antes da hora
Mas lá fora, só restará velhas historias

Por Manfrá

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Pó




















Se me esvazio por fora e me retenho por dentro
se exponho meu plano de guerra
e te deduzo pela metade
que fará meu corpo sóbrio
sobre sua carne por mim despejada ?
por que corro daqui quando amanheço
pelo seu instinto louco que a despeito
ainda queima em mim
fazendo meu estômago cinza
de formula de vento aonde passa
não me entristeço mais a toa
hoje aprendi a amanhecer
ainda que lúcido mais ciente do seu amor
não entrego meu papel de louco sonhador
que se desfaz sem perceber de mim
e me dissolve como pó em suas narinas
Hoje quando acordou perguntando de mim
Eu mesmo não sabia o que dizer
se faço passado estrelas
como poderei responder?






domingo, 21 de julho de 2013

Peito fértil
















Ela se isolou em meus pensamentos
de passagem larga e cor quente
pintada em meus neurônios
agora, o que quer eu eu pense
vem me levar como avalanche
em sinônimo de morte ou não
agarrar aquilo que eu respiro
aonde eu tropecei e deixei sangue
minhas feridas cravaram nomes
quando partido desse mundo fiquei
encontrei colo num olhar
vontade de deixar tudo e sumir
não por covardia ou medo
mas de encontrar além do que impõem
humanidade de verdade
seiva forte que brota da terra
do peito fértil de cada um


Por Manfrá

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Barro


Fora da meta que infecta todo meu caminhar, pois por um sorriso amarelo e uma alma não ferida, desinfestaria sua testa de todo meu beijo noturno, para não te amordaçar ao meu mundo de barro que a efeito e a despeito sou digno de dizer:
Sempre fui mais os pensadores, sofredores, e metamorfoses ambulantes, sempre procurando a distinção entre o estranho e o trivial, para caminhar por caminhos distantes, sombras aconchegantes num verão de matar.  Procuraria você descalça engatinhando sobre minhas cinzas, perdição inventando minha fonte de ouro, você se satisfaria com minha sinceridade e preservaria nossa amizade, ainda que não soubesse que minto, pois de barro fui feito e não de santo e por onde corto deixo o sinal de minha navalha, enferrujada, gritando por socorro, ainda que desamparado, me colheria debaixo de seu cobertor e morreria intoxicado por sua fumaça purificante.

Manfrá

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Parto de Brasil

A quem diga e a quem verá
se esta perdido ou curado
o que sangra da mão do meu povo
será trabalho ou exploração?
Justiça ou vida de mente mal-educada
Se tem santos tem profanos
Que querem rugir sobre quem os carrega
com alegria sobre os impostos que pagamos
Para satisfazer de superficialidade
Enaltecer como nobreza
Quem deixamos nos enganar
Fazendo meu povo rastejar pelo chão
Conseguindo miséria no lugar de educação
Dependente do que lhe mata
A voz que quer te calar
Te fazer de imbecil
De monstro de circo para estrangeiros
Irmão verde, amarelo e azul
Acorde e veja a mentira
Estampada em cada guarda-sol
Que a mídia lhe ocultou
E que os poderosos lhe negaram
O sol do peito da vida do meu povo
Brilhando como o cometa mais alto e belo
Pronto para desfrutar
De um país mais justo



Manfrá

domingo, 16 de junho de 2013

Locomotiva Brasil


O que queres que eu cante hoje, fera tímida e enjaulada ?
Repartindo entre seus reis a miséria sobre a mesa
Matando os quem tem sede e vive em terra de sequidão
Esquecendo da escola do lunático e do poeta
Acreditando em rede de manipulação, que fez meu povo tropeçar
Quero que caias hoje, fardo que puserdes sobre todos nós para carregar
Pois hoje acordei sorridente, vendo meu Brasil levantar
Doía até os cantos, dos palácios que se fizeram amedrontar
Da engrenagem que engana, que nos mantém como uma raça sub-humana
Por causa do seu egoísmo e ganancia, querendo roubar da terra que também sangra
Quem quer defendê-los, morra hoje, por que queremos ergue-lo
No protesto que há, que a paz, dignidade, alegria e esperança
estejam calçadas em seus pés meu irmão azul, verde e amarelo.

Por Manfrá

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Caco de vidro

 
Você pisa em cacos de vidro que você mesmo quebrou
Apesar da cicatriz certas coisas continuam doendo por dentro

É como a fotografia que mesmo cinza
Continua a queimar
Buscando um lugar que cure,
que anestesie a dor
um lugar aonde não precise fingir ser forte
Sem dever perfeição à imperfeitos
Aonde possa descansar sem se preocupar em acordar
Aonde não venhamos machucar pelos sentimentos
De pessoas ferindo com palavras outras que estão ausentes
Talvez queira de mais, mas jamais concordarei com este mundo
Amo o bem e fico de mal comigo quando dele me afasto
E é com prazer que volto atrás, seguindo em frente
Não posso dizer como Cazuza cantava " Eu vou sobrevivendo sem nenhum arranhão.."
Pois tenho me arranhado pelos espinhos da rosa que plantei
Mas todos eles me ensinaram, que a vida não é o que parece

Quando a maré abaixa, se vê o resultado
Quem ontem chorava hoje faz chorar
Quem estava ferido passou a ferir
Quando foi curado e aprendeu ensoberbeceu
Que as metas para alguns é apenas a si mesmo
Que o rosto mal falado era o mais inocente 

Que vida é como um labirinto aonde tateamos as paredes como cegos
Confusos e perdidos em nossos pensamentos em busca da saída
Mas aprendi algo, tudo é válido, toda experiência é força
Bom é ter amigos que saibam conversam e ouvir
Principalmente ouvir, por que algo simples se tornou tão raro?
Tão fácil é se iludir com pouca coisa, cansei de fardos inúteis
Ainda que eu apenas deixe minhas poesias
Deixarei algo muito maior, meu amor por aqueles que tanto amo
Não quero ter dificuldades em algo que é remédio
Remédio para esse mundo, para essa sociedade de ambições fracas e sem sentido.

sábado, 18 de maio de 2013

Coração árduo

Você está ali, despedaçado, e inúmeras vezes não entende o por que? A vida apronta, nunca a subestime,  nos enigmas que decifrei aprendi tanto da dor quanto da alegria, a dor que foi meu professor, o mais firme e infalível,que podia fazer-me por um revolver em minha boca e explodir meu cérebro contra a parede, arrancar meu peito fora e pisar sobre meu coração para me ensinar, que desperdiço tempo quando erro e sigo com orgulho não prestando atenção nas placas do caminho, que firo quem mais me ama por culpa do meu egoísmo, que de tanto querer fugir, nunca chegaria a me conhecer de verdade, que gostava de ter alguém do lado, tanto para ouvir da minha dor, quanto para expressar meu amor.   A dor me ensinou, que a perfeição é fábula inventada por quem não sabe sonhar, que dessa terra se tira o que planta, maldições, amores, dores, fazem parte do que buscamos, ainda que inconsciente das consequências, a maré baixa virá para tornar a mostrar ao sonhador dessa terra, que a sua sujeira não é eterna, pode ter recomeço na historia de quem ousa, de quem enfrenta sentimentos duros como espinhos dentro do coração, apagar os passos na areia para que? deixe que sirva de exemplos para outros não cometerem sua mesma falha, se cortarem entre os mesmos espinhos, pois o caminho é duro e árduo, vacila quem reclama e não substitui carência por atitude, quem corre no corredor da morte, está sujeito a amar a vida mais e tarde de mais.  Além da vida, da vida que existirá, se não for com a garota dos seus sonhos, ou com o mundo magico que grita aí dentro querendo existir, a vida, ela te dará o que você merece.    Se mata, se sangra, se fere e deixa ferida e depois cicatriza, a vida em sua maior manifestação está ainda no amor, e isso aprende sim, nas experiências, nos caminhos que trilhamos que só nossos pés podem contar o segredo, a sim um significado para vida que vale a pena ser vivido, viver e morrer por amor, seja pra quem e quem for, pois o amor não julga nem condena, apenas liberta

Por Manfrá

sábado, 20 de abril de 2013

Ato de amor





















Voce sabe que eu nunca a esquecerei, use e abuse de mim amor
Você sabe que eu estou aqui, perdido no meu mundo
Tudo aquilo que você sente
Não precisa ficar preso na sua mente
Busque a recompensa dentro de você
Injete boas amizades em sua veia
E vicie num amor que te faça bem
E nunca deixe de amar
porque alguém não soube te amar
Não é ilegal estar apaixonado
Não é errado chorar por quem ama
Não é tolice se entregar
Não é pecado ter esperanças
O unico pecado é perder as esperanças
E se voce perder a esperança
È melhor que perca a vida
Vou fingir que nada aconteceu
Mas minha respiração pode entregar tudo
Eu não soube lidar com tudo isso
E ainda não sei
Só me arrependo de não ter falado
tudo aquilo que eu escondia no meu porão
ou como dizem, coração
E que voce precisava saber
Me queime em sua despedida
Me entregue um adeus de presente
Me diga o que há por trás do meu sorriso
Eu sou louco o bastante? Eu sou magro o bastante?
Eu não me importo nem um pouco? talvez eu seja louco
Eu só quero viver a vida burro e feliz como qualquer um
Eu quero correr com o pôr-do-sol
E envelhecer sem precisar usar viagra
Eu quero um último suspiro
Um último desejo
Perdoe toda a existência
Os maus sentimentos
Isto é somente eu
Um vácuo que ecoa no vazio
Um grito pela vida
Deixe eu defecar nosso amor agora
E cuspir nossas lembranças
E eu conservarei voce longe de mim
Eu sei que um dia voce terá uma vida maravilhosa
Eu sei que você será como uma estrela
No céu de um outro alguém
E eu estarei feliz,
Eu estarei...

Por Manfrá

domingo, 7 de abril de 2013

Ouro, prata e bronze



Farsa de ingenuidade é toda amizade
procurando por interesses
quando a maré abaixa, se vê o resultado
quem ontem chorava hoje faz chorar
quem estava ferido passou a ferir
quando foi curado e aprendeu ensoberbeceu
que as metas para alguns é apenas a si mesmo
que o rosto mal falado era o mais inocente
que o arrependimento era apenas remorso
quando se procura o amor verdadeiro
tem que enfrentar a si mesmo
se seus conceitos eram verdade
ou apenas disfarce
para quem corre e se gaba por chegar primeiro
ouro, prata e bronze passam
para quem te julga e condena por seus erros
ainda que transpareça maior seriedade
lembre-se que o bom ator é palhaço até de circo
ainda que seus amigos se afastem
o tempo revelará os verdadeiros
o humilde aprenderá pela repreensão
o orgulhoso fingirá que é surdo
ainda que acerte e ganhe na loteria, será como o pó
enfeitado de bens que traças e ferrugem consomem
que o vento sopra e leva para longe
Que se decompõe como orvalho pela manhã
não ignore quem te quer fazer feliz
pois maior e mais raro que o ouro é o amor
se o seu erro ou de alguém mostrou o caminho da felicidade
Não ensoberbeça, agradeça!


Por Manfrá

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Charge de diet





Me traga alguém que escute, que não venda comentários
chamas aonde quer que eu toque, incêndio o que quer que eu ame
bussola desorientada o que quer que eu pense, naufrágio na madrugada
mente encalhada, mar de sujeira em minha cabeça
Meu orgulho é minha cicatriz, minha loucura meu paraquedas
meu refúgio é torneira de álcool, roleta russa é paixão aleatória
charge de depressão a noite, pós-guerra depois de uma discussão
recado de ex são espinhos de palavras, flores queimei todas
falsificado sorriso amarelo, promoção barata de farmácia
carro vermelho de desilusão, esmaguei minha cara metade
petrifiquei meus amores, matei meu tesão 
curando meu câncer, metendo a mão boba arrancando seu coração
novela de tragédia, emancipei destruição
durma com isso se puder, que sou o mesmo sem você
estragado, confuso, robusto de faxada
tropeçando, se levantando e levando rasteira
de boca a boca sem dor,mas de boca no chão nem falo!

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Verme de violência

Além de minha persistência encontrei o meu valor, nada de folgueira de São João, era mais como uma lareira no inverno, sem peça de teatro em filme pornô cativante, miseria em novela da tarde, era meu show do ano, toda a vida que eu amava, pertubava e perdoava, para me enriquecer lá na frente, aprendi respeitando o erro e não temendo o medo.   Alegando todo o fato que pudesse me contribuir, me fazendo de façanha nas ruas da amargura, aconchego no berço de minhas mentiras revelando todo o segredo que pudesse me ferir.  Na tolerancia zero eu me despi de tinta e vesti as vestes de minha porca ingenuidade, chamando todo filhote de cruz credo, amamentando o farto peso da razão.  Criei azul no céu de minha invenção para não tropeçar na escuridão dos meus passos, já expeli fogo, sinal de fumaça em minha dor como grito de socorro, já fantasiei a minha partida, já fugi desse hospício que chamam de sociedade, por paz, por culpa, por raiva.  Destruí a tampa da privada para não disfarçar o esgoto encravado no peito humano, laxante de anfetaminas, bulimia de tragedia escolar, na sala da cadeia dos telespectadores eu vi estupros, assassinatos e audiência, quem pagará para ver o colapso mental e a ruptura do corpo santificado? Na mortandade que assola ao meu dia, rastejando pelo chão verme de violência que estima suor por sua propría destruição.

Por Manfrá

quarta-feira, 27 de março de 2013

Fantástico mundo de drogas

Buscando no mundo algo que satisfaça
que preencha esse vazio, que se escreva com a caneta
revolta escrevendo traços, morte em papel
pervertido coração de gesso, incapaz de compreender
chateado apreço, preso no meu rosto
subvertido grito, buscando algum sentido
esmurrando minha face, face contra o espelho
corte desleal, coma conjugal
doce sem doce, viajem espiritual
amarga cocaína, queimando minhas narinas
anatomia corporal, condição suicida
vasos sanguineos lentos, batida quase imperceptível
sono demasiado forte, vontade de aquecer suas mãos
enjaulado em meu quarto, escrevendo minha derrota
lágrimas parecem desabar, sofrimento suspiro
peso de cordas em minha garganta, desatino sonhos
meu apetide por paz, como fome animal
cansado pelos tombos, como num filme de terror
pronto para ser arruinado, buscando vida
como criança récem-nascida, expulsa do útero
sou vítima de mim mesmo, culpado até os ossos
fantástico mundo de drogas, que não passa de ilusão

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