quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Chulé podre


 Eu dormi com as estrelas e ganhei um céu de ilusão, recuando para mim mesmo, mesmo quando a saída não me retém, por que acreditei em sua salvação? Vendo meus rins pela ruína, enjaulado, encapetado estou até o fim, aonde se depuseram os confins de nossa terra imaginaria, nos devorando por toda a parte?  Como traça em seu travesseiro, gente que da alma não se tira nada, vazia por todas as malas de alugueis que tivemos que carregar.   Porque aqui se esconde nossa dor, por de trás dos retratos, debaixo dos tapetes, enforcado em alguma esquina, esquecida pelo governo e suas boas intenções. Homens que são devotos de si mesmos, enganando e sendo enganados pela ganância e cobiça, uma maré de chulé podre inalado em toda a sala de estar, como um cachorro seu filho corre, se anestesiando em todo canto de esquina, gente que da cabeça não se tira nada, há não ser esmolas para Deus.


Por Manfrá

3 comentários:

  1. Muito legal seu blog!
    Parabéns!
    www.priscilafantini.blogspot.com.br

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  2. Como você consegue escrever tão bem assim?? Me passe a fórmula secreta por favor rs.
    Gostei da dica de música, B.B. King é realmente um gênio do blues, e por sinal, uma ótima fonte de inspiração.
    Parabéns meu caro Manfrá!

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  3. Muito legal.

    www.cchamun.blogspot.com.br

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